Como eu gostaria que meus filhos se lembrassem de mim

Essa questão, proposta pela Nina, chegou em boa hora. Numa hora em que ando me questionando, pensando muito em quem sou e o que significo para as pessoas. (Blog da Nina: http://entremaeefilha.blogspot.com.br)
Como filha, sei que não tenho dado à minha mãe a atenção que ela merece, por isso me pego pensando no que esperar dos meus filhos.
Claro que gostaria de ser lembrada como uma boa mãe, o que sei que sou.
Com muitos defeitos, mas muitas qualidades.
Na verdade, a melhor lembrança que podemos deixar são os exemplos.
Gostaria que meus filhos se lembrassem de mim sempre com carinho.
Que esquecessem meus excessos, meus tantos "nãos", tantos xingos, tanta repressão, tantas cobranças. 
Agora que são pais sabem que o caminho é esse, ensinar, educar, preparar para a vida é ter pulso, cobrar mesmo, antes os pais do que a pópria vida.
Não fui mãe de ir pra cozinha fazer a comida preferida dos filhos (mas sabia quais eram e pedia para serem feitas), bolinhos de chuva num dia frio, biscoito de polvilho frito, daquele que espirra óleo pela cozinha toda (fiz bem menos vezes do que gostaria), um doce, uma torta, uma sobremesa. Isso não fui e disso me penitencio, mas cozinha não era minha praia.
Mas fui a mãe que passou a noite em claro quando eles precisaram, com febre, ou dor. E que, aí, sim, tinha uma sopa prontinha, ou um mingau, feito com preocupação e medo, pois nada me tirava mais o chão do que vê-los sofrendo, seja até por um dente que bambeou e custou a sair.
Decididamente, nunca fui mãe que terceirizou a criação dos filhos. 
Gostaria que se lembrassem de  mim como a pessoa que mais lhes quis bem.O que não me dá o direito de cobrar isso deles, o amor é tão natural, tão incondicional que nunca me pesou amá-los.
Fui mãe em tempo integral, sem férias, sem passeios, nada que não os incluisse.
Fui mãe controladora, aos poucos soltando-os para a vida, bem mais tarde do que eles queriam e muito mais cedo do que desejava.
Nunca tive dúvida de que ser mãe é um privilégio e amar é só um dos bônus da maternidade, vem de graça, não pesa, não frustra.
Mas sempre digo que se voltar, em outra vida, e puder escolher, não serei mãe.
Porque amei demais, me dei demais, e filhos são como todas as pessoas, são seres individuais, querem suas vidas, precisam de outras pessoas e nós, mães, temos a pretensão de sermos insubstituíveis. 
Não criei filhos para o mundo. Preparei-os para isso, para estarem de pé, mas não para que amarrassem as calças (expressão antiga) e fossem viver longe de mim. Essa é a parte difícil, são muitos os cordões que nos prendem aos filhos, o umbilical é apenas o primeiro.
Hoje sei que meus filhos sofrerão menos quando eu me for, porque agora são pais e o bem mais precioso são os filhos que têm.
Quero ser lembrada apenas pelas minhas qualidades. Esqueçam meus defeitos, como esqueço os deles.
Quero ser lembrada num pedaço de bolo com recheio: "Mamãe adorava um bolo assim!"
Quero ser lembrada numa casa limpa, organizada, arrumada com gosto: "Mamãe detestaria chegar aqui agora e ver essa cama sem arrumar".
Quero ser lembrada num cajuzinho, num olho-de-sogra, num sanduiche: "Festa pra mamãe tinha que ter cajuzinho e olho-de-sogra". "Mamãe amava esse sanduiche de frango".
Quero ser lembrada num por do sol, num amanhecer, numa gaveta arrumada, numa música, numa comida.
Quero ser lembrada num dia de alegria, vontade que eu estivesse ali com eles.  
Ou num dia de tristeza, com certeza de que os amparo nos braços.
Quero ser lembrada com amor. Que foi o melhor que dei a eles.  (Cada um dos meus bebês, na foto de 1 ano de idade).

20 comentários:

Nina disse...

Meu Deus!!! que coisa linda linda linda linda Lucia. Obrigada por enriquecer a postagem. Amei como vc descreveu as agruras e belezas de ver filho crescendo... e indo embora da gente, se desprendendo dos nossos mts cordoes :-(

Chorei. Lindo Lúcia. To emocionada. Na verdade, tbm quero que meus filhos lembrem de mim nesses momentos que vc mencionou... sao tao simples e tao únicos.

Obrigada de novo, de coracao!

✿ chica disse...

Que lindo!!! E quem não errou ao educar os filhos:/ Quem não fez algo ,por amor e talvez foi mal entendido? Linda participação! beijos,tudo de bom,chica

Beth/Lilás disse...

Bom dia, Lúcia!
Nossa, muito lindo o que você escreveu e soube tão bem expressar!
Toda sua vida de mãe e convívio com os filhos foi muito bem direcionada ao carinho e atenção que deu a eles, nada poderão reclamar, principalmente deste 'item cozinha' que não é nem um pouco relevante diante das coisas mais importantes da vida, como educar e acompanhar um filho.
Linda participação!
beijos cariocas


Inaie disse...

que mensagem linda!!! e com certeza seus filhos vãos e lembrar de você com amor e com carinho...

Cristina Pavani disse...

Faça os biscoitos fritos, sempre em duas panelas.
jamais, jamais os coloque em óleo quente.
Coloque a panela morna numa bacia de água fria antes de voltar a fritar.
Beijão!

Marly disse...

Oi, Lúcia,

Lindo post, minha amiga, estou certa de que os seus filhos sempre se lembrarão de você com grande carinho. Vi muitos pontos em comum entre a mãe que você é e a que eu sou, rsrs.

Beijo e boa semana!

pensandoemfamilia disse...

Lembranças de amor, lindaa desejo.
Lindas as fotos, recordçoes.
bjs

Kellen Bittencourt disse...

Oii Lucia, muito emocionante seu texto, todas nós que somos mães queremos ser lembradas pelas coisas boas, pelo que ensinamos, queremos inclusive que os filhos reconheçam o que aprenderam com a gente, acho que toda mãe que se preze deseja isso! Cada uma de nós cria de uma maneira os seus filhos mas com o mesmo objetivo! Eu queria muito ter a minha mãe e poder dizer a ela que entendo agora tudo que não fui capaz de entender qdo ela me ensinou, queria também dar o dobro de atenção a ela,e olha que não dei pouca, e não falo por que ela se foi, mas por que o meu amor por ela era grande demais, se eu soubesse que o tempo seria tão curto teria feito por ela o dobro do que fiz, seria o máximo te-la comigo ainda!Parabéns pelo texto! Bjooosss

Calu disse...

Lucia,
não tenha dúvidas de que vc será sim, lembrada por todas as coisas grandes e pequenas, por todos os momentos de riso e de ralhos, pois é de tudo isto e mais o amor incondicional,que é feita a vida, das crianças que fomos, das mães que somos, da saudade que seremos.
Teus filhos já te trazem no pensamento a cada instante que os filhos deles os requisitam.

Vc fez uma narração marcante.
Bjos,
Calu

Valéria disse...

Oi Lúcia!
Você escreveu com o coração!
E eu assino embaixo, cada sentir deste amor incondicional em nome do qual nem sempre acertamos, mas que vamos tentando de todas as maneiras dar o nosso melhor.
Linda participação e linda foto!
beijinhos euma linda semana!

Georgia Aegerter disse...

Lúcia, que coisa linda os teus filhos.

Que idéia do coracao você teve.

Amiga, estou aqui arrepiada com a tua declaracao de Amor aos teus filhos.

É isso mesmo. Somos maes, somos falha. Nao somos robôs. Se fosse tudo perfeitinho para cada um deles, acredito que eles seriam muito infelizes.
Eu tb falho muito com meus filhos. Mais com o Daniel que está com 13 anos e esta idade nao é fácil e nao tem sido fácil.

Querida, espero que teus filhos leiam isso. Ou entao que você imprima este teu texto e deixe para eles como testamento. Eles vao te agradecer por esta lembranca linda.

Um grande beijo e como foi bom te ler hoje. Especialmente hoje.

Te desejo uma semana abencoada

ML disse...

Dessa vez eu tb vou dizer que vc me fez chorar - mas foi rapidinho, e de alegria. Gente que "abre o coração" na rede tem muita, mas com talento e sem a menor pretenção é raro e caro.
A Lúcia (ela, a escritora, na 3a. p. do plural) fala com a gente (leitores) e/ou com ela mesma, mas a gente quer mais é "escutar" pra ver se aprende alguma coisa.
Eu não sei como vou me lembrar dela, ou como ela vai se lembrar de mim, ou se vai. Não importa.
Hoje. me lembro dela como uma escritora inteligente, competente e sensibilíssima. Gente que vale o oxigênio que respira.

bjnhs pra ela ; > )

Élys disse...

As fotos estão lindas!...
Certamente seus filhos vão se lembrar de você com amor e carinho, pois foi o que sempre lhes ofertou, além da total dedicação.
Um grande abraço,
Élys.

Orvalho do Céu disse...

Olá, querida amiga Lúcia
Errar é humano e perdoar é divino...
Isso é muito certo...
Todos erramos na educação com a melhor das boas intenções...
Os nossos filhos terão a mesma queixa dos seus... e assim vai...
O que importa, na realidade, é a boa dose de amor materno que vc lhes deu...
Isso vc levará para sempre e eles também...
Gosto muito dessas fotos antigas que ficam lindas!!!
Parabéns por ser a mãe que é!!!
Bjs de paz e bem

Marcia Gullo disse...

Que coisa né???? hoje tbem fiz postagem sobre filhos.... muito lindo seu texto... cheguei aqui atraves do face da Lilian Rose... agora vou voltar la a agradecer a ela por compartilhar algo tão gostoso de ler.
Um beijo e inté :)

Blog da Gullo

Anônimo disse...

Que lindo, mãe! Mas dói pensar no que me lembrarei, pois isso pressupõe imaginar que vc nao estará mais aqui por perto... Pra reclamar, xingar, falar que nao vai falar que avisou quando alguma coisa der errado, pra aconselhar quando eu meter os pés pelas mãos mais uma vez, pra contar historias "da imaginação" pra Lelê... Pra deixar claro que nos ama em cada detalhe...
Afff... Parei!

Anônimo disse...

Mãe, Tô aqui chorando e lembrando de todos os detalhes citados. Lembro das comidas que, mesmo não gostando de fazer, de vez em quando fazia e fazia com prazer. Lembro de vc dizer que não estava nos criando pra ser donas de casa, mas hoje sabemos muito bem como ser uma boa dona de casa. Exigentes com algumas coisas que eram e são importantes. Não da pra deixar simplesmente de qualquer jeito, mas se fizer com carinho e amor, basta. Basta a cama arrumada e a cozinha ajeitada que 50% da arrumação da casa ta feita. Rs. Mãe, vc não foi tão carrasca assim, hoje, lembrando minha vida, minha adolescência, tenho certeza de que seria pior que vc. Caraça, eu tinha 12 anos e já saia sozinha com um bando de adolescentes, meninos de carteira fresquinha e 8 pessoas num carro, indo pras Savassi's da vida. E eu achava pouco, hoje vejo os riscos, e entendo seus medos. Quero meus filhos a maior parte do tempo possível comigo, mas quero que eles abracem o mundo, coisa que sempre sonhei mas nunca fui corajosa o bastante pra fazer e, tenho certeza, vc teria apoiado. Lembro das aguinhas de fubá deliciosas que vc fazia e das vezes que fingi que estava gripada, ruim só pra vc fazer pra mim...mesmo que fosse só pedir e vc faria...bom, lembro de tudo, de todos os ensinamentos, mesmo que ocultos em suas ações. Obrigada, ama! Fa

Denise disse...

Nossa, Lúcia!
Que texto lindo e cheio de verdades. Não sou mãe e acho que seria boa mãe, mas mto durona tb, hehe! Sei bem minhas limitações... Gostei mto do que disseste sobre o dever dos pais, concordo plenamente.
Obrigada pelo longo e gentil comentário lá no blog, lembrei mto dele lendo esse teu post.
Tenho certeza que és mto amada e serás lembrada (qdo te fores daqui BASTANTE tempo, espero!) com mto amor e alegria.
bjs e ótimo final de semana!
PS: cuidado com a dieta, mal necessário, ok?
Denise

Marli Borges disse...

Muito lindo Lúcia, também eu gostaria de ser lembrada por coisas que tais. Mas, sabe-se lá como eles se lembrarão da gente não é? Esses dias meu filho me contou que se lembrou de mim (por uma coisa tão banal que eu jamais imaginaria sequer que ele fosse se lembrar! Mas ele lembrou e ainda contou pros amigos dele, Oh my God!). Ah! Como eu ri!!! Cheguei a uma conclusão: A gente não sabe nada, minha linda, nada... Ainda bem que a gente deu amor, do nosso jeito,...mas com certeza foi amor!!!! Adorei o teu texto e agora vou correndo ler o outro do outro blog!!! Bjs, tchau!!!

Lúcia Soares disse...

De alguma maneira, lembrei-me o tempo todo dela, enquanto escrevia esse texto.
Cida é uma cunhada (irmã do meu marido) que se foi há 12 anos e que é sempre lembrada, falamos dela como se estivesse aqui, está sempre presente entre nós de uma maneira terna e boa.
Uma de suas filhas comentou pelo FB, mas como lá as página se sucedem vertiginosamente, passei para cá.

Anna Paula disse:
Lindo texto! Lembrar-se da mãe não é fato que ocorre somente após a partida. Acredito que seus filhos pensem em você em muitos momentos, todos os dias... E eles têm a graça de poder viver tais momentos a qualquer hora. Mas mãe, em geral, se julga com muito rigor. E nós, os filhos... como gostaríamos que nossas mães se lembrassem de nós? Nos 12 anos "distante" da minha adorada mãe, não houve um só dia que eu não me lembrasse dela. Não é doloroso, é reconfortante. Tenho uma enorme reserva de lembranças, doces e ternas. Será que fui para ela tão doce e terna como ela foi para mim? Sei que deixei de fazer e dizer coisas preciosas... como todos os filhos. Tudo isso é parte das relações. Não sofro, tenho muita saudade... e gratidão, Deus me permitiu fazer minha reserva de lembranças e poder continuar amando