Seguir em frente



 Cheguei numa idade em que muitas coisas que não fiz, certamente não faria mesmo, independentemente de ter chance ou não. Coisas ligadas a valores, moral, etc.
Penso em tantas coisas que podia ter feito e não fiz. Por medo. Preguiça. Falta de incentivo.
Vieram-me à mente coisas simples, que passei mesmo da idade de fazer, coisas importantes, que devia ter feito e aquelas que citei, que não faria mesmo, nunca.
Não é questão de me arrepender, não. A vida segue um curso, como um rio, somos meros remadores, nem sempre a corrente nos leva para onde queremos. (Ou é comodismo pensar assim?!)
O fato é que agora não posso mais: andar na chuva, num dia bem quente, deixando os pés na enxurrada. (corro o risco de uma pneumonia);
tomar um porre homérico, falar tudo o que eu queria, pra quem quer que fosse, sem risco da pessoa ficar "de mal" comigo pro resto da vida. Pensando bem, pra que precisar de um porre pra ter coragem? 
Mudando: ter a coragem de poder falar o que quisesse, com quem quisesse, sem correr o risco da pessoa nem querer me ver depois! Mas não era para "detonar" com a pessoa, apenas falar o que penso dela, sem ofensas, o que me incomoda em seu comportamento, essas coisas. Como se meu jeito de ver as coisas mudasse o mundo...
De muitas coisas que nunca faria, tenho certeza: saltar de bungee jump, pular de paraquedas, escalar uma montanha gelada, navegar por meses a fio, subir em um elefante ou em um camelo, voar de asa delta, andar de navio, acampar no mato, andar na montanha-russa, voar em um balão e tantas, tantas aventuras mais. Nunca fiz, nunca tive vontade, nunca farei, de jeito nenhum.
Não sou movida a desafios, adoro o comodismo, o previsível, o certo e seguro.
Das coisas que não fiz e queria ter feito, a principal é ter feito uma faculdade, ter um diploma que me habilitasse a ter um bom emprego, ser uma boa profissional.
Gostaria de ter me encantado pelo magistério, sei que seria uma ótima professora. Ou me estressaria muito, ou seria uma ferrenha contestadora desse sistema idiota que não prioriza a educação.
Sou acomodada, valente nas palavras, mas pobre nas ações.
Não há como culpar-me da minha própria mediocridade. É o que menos adianta.
Hoje, diante desse mundo conturbado em que vivemos, deixar soltos nossos filhos e netos acaba sendo angustiante.
Mas, ao mesmo tempo, a vida tem que seguir um curso e não há muito a fazer para interferir.
E eu, que queria dizer umas tantas outras coisa, embolei tudo e me perdi.
Li outro dia, no Facebook e trouxe pra cá.
"Dizem que antes de um rio entrar no mar, ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada que percorreu, para os cumes, as montanhas, para o longo caminho sinuoso que trilhou através de florestas e povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto, que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.E somente quando ele entrar no oceano é que o medo desaparecerá, porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas de tornar-se oceano." (Osho)

21 comentários:

ML disse...

Lucia: tenta imaginar que desconhece o/a aotor/a, relê e "se" diz: o texto é ou não é excepcional?
Tem de publicar... Cadê o livro de crônicas "Sem Medidas - Lúcia Soares"?

PARABÉNS! bjsssssssssssssss


Cristina disse...

Oi, Lucinha!
Que belíssimas reflexões... também as faço enquanto caminho: oi isto, ou aquilo.
Em relação ao magistério, você tem os netos, e sei que já é uma excelente professora para eles, como minha avó paterna foi para mim; lembro de tantos detalhes!
Que tal um bloguinho infantil como a Chica fez para o netinho dela? Sabe que quase morri de admiração?

Seu texto está autêntico, parece uma conversa na sorveteria, em tarde de sábado. Amei!

Beijão.

✿ chica disse...

Lindo,Lucia e concordo que poderias publicar teus textos. São legais, bom de se ler.

Esses questionamentos, reflexões sobre nossa vida aparecem sem que os chamemos. Fizeste muito lindo aqui! Gostei! beijos,chica

Misturação - Ana Karla disse...

Ah Lúcia, como é sempre muito bom te ler.
Garanto que serias uma ótima professora.
O curso da vida é bem por aí mesmo, como o rio.
Xeros

Heloísa disse...

Lucia,
Algumas das coisas que você não fez, e nunca faria, coincidem com as minhas. Eu nunca subiria em camelos ou elefantes, nunca saltaria de bungee jump e outras mais.
Mas navio! Pena que você não tenha a menor vontade de fazer essa viagem tão gostosa, e tão confortável.
Há coisas que não fizemos na época certa, ou admissível, e que agora nem pensar. É o caso de tomar chuva, mas muita chuva, por brincadeira.
Há pouco, quando estive na Turquia, nem pensei em andar de balão. Há alguns anos atrás, talvez tivesse andado. Agora, passou.
Mas há coisas que normalmente são feitas na juventude, mas que podem ser feitas em qualquer idade. Basta ter vontade. Basta querer, de verdade.
É o caso da Faculdade. Acho que você deveria se programar para fazer uma faculdade. Estaria realizando uma vontade e diminuindo sua listinha das coisas que gostaria de ter feito, mas não fez.
Beijos.

Maria Izabel Viégas disse...

Amigaaaaa,
agora sou eu qu lhe falo: O que? Culpa-se da sua mediocridade?
E onde ela mora? Aqui nestes teus textos ela não vive. Nem na postura que vejo ter na vida.
Lúcia, assim como vc não fiz muitas dessas coisas que disse que nunca faria. Não sou dada a aventuras loucas.
Minha aventura pode estar se passando no aqui e agora, eu numlugar parada, eu andando de mãos dadas com meu marido, a conversar horas a fio.
Eu fiz faculdade depois de casada, parei em 1964 para viver um grande amor - ser professora primária. depois sai voando, e a faculdade quando minha primeira opção - ser mãe - estava segura! Andre e Marcelo co 5 e 3 anos. Foi-me útil pis como Orientadora Educacional tive mil alegrias.
Gostar de subir, ah eu gsotava, dar reuniões para 500 pessoas, isso fiz, e fui feliz! fui convidada para cargos no nível central trés vezes e recusei( depois chorei um tanto0 mas não fui para ficar mais próxima de meus filhos. O mais novo uma vez me perguntou: Mãe, por que não fez Doutorado? Ora, porqu preferi teu pai e filhos. A vida nos direciona para aquilo que nos completa. E que prazer eu tenho de conversar com meus doutores em psicologia, em sociologia? Como aprendo com meu estatístico? São meninos que me ensinam que a inteligência e honra mora na alma deles! E era isso tudo o que eu queria.
Cito uma canção que fala o que sinto:
"Senhor, se Tu não vais comigo daqui.
Jamais Te encontrarei em outro céu!
Prá que Te procurar em mundos distantes?
Se eu posso Te encontrar aqui, aqui..."
Minha paz e felicidade deve estar aqui dentro, nunca vou achá-la lá no bem distante.
Preciso encontrá-la aqui.
Beijos, minha escritora favorita! publica um livro, amada!Você é SEM MEDIDA!!!!!
Beijos!muitos!

Evanir disse...

Hoje estar aqui no seu blog tem um sabor especial para mim ,
pois muitas vezes luto para não deixar ninguém sem a resposta
do comentário deixado no meu blog.
O carinho recebido é tudo na minha vida
da forças para minha vida nunca parar
ou demorar um pouco mais entre vocês.
A luta tem sido grande , mais a força que emana de vocês
me fortace na luta de seguir sem olhar muito para traz.
Quando temos amizades maldade , sem inveja,
sem preconceitos com os problemas de amigas.
Nos elevamos como ser humano que passamos ser na vida
depois de vencer a dura batalha para continuar a viver .
Um Dia encontrarei solução para minhas perguntas,
Porque eu meu Deus?
Nunca devemos questionar porque eu..porque?
com o tempo conhecemos os porque dos desígnios de Deus.
È onde aprendemos valorizar um folego de vida
é sentir que podemos ainda vencer os obstáculos
imposta para nosso crescimento e evolução como ser humano.
Até nosso retorno para o jardim de rua de ouro cercada de anjos.
A cada dia temos uma chance para recomeçar e escrever um novo começo.
O sol é o mesmo, mas os raios de luz,
trazem a novidade de um tempo que é único.
Deus está no comando da sua vida,
mas Seu amor indica possibilidades para sermos felizes.
Se for preciso, recomece tudo outra vez.
Um feliz e abençoado final de semana beijos
no coração infinitos carinhos na alma.
Evanir: espero ter deixado um pouco de mim..

Pepa disse...

Ai Lucia, sabe que agora lendo esse post me peguei pensando nessas coisas... no que faria se... e no que já fiz...
Nossa muitas coisas ficaram prá trás... e muitas hão de vir...

Acho que importante é focar no que nosso corpo e mente podem nos proporcionar e seguir em frente, sermos como o rio... sem volta, mas com muita coisa prá "molhar" e fazer brotar por ai !!!

Adorei o texto, como sempre !!

Bjus 1000 querida

Calu disse...

Lucia,
vc não está sozinha nestes questionamentos que creio fazerem parte de nossas reflexões em algum momento da vida.Vejo que muitas pessoas da nossa geração atingiram um entendimento sobre si e o mundo que, claro, contabilizam posturas que passam por sonhos não realizados, pelos que se realizaram e por ocasiões outras as quais jamais escolheríamos realizar.
Cest la vie, mon amie!

Bom fim de semana.
Bjos,
Calu

Kellen Bittencourt disse...

Oiii Lucia, gostei muito do texto, sobretudo tenho cada vez mais medo de olhar para trás e pensar nas coisas que não fiz, diante disso me encontro quase que diante de um desafio para fazer tudo, pelo menos tudo que ainda der tempo, estou com 42 anos e já me pergunto por que deixei de fazer isso ou aquilo,isso me incomoda muito, já andei de balão, acampei no mato, escalei montanha gelada kkk e ainda quero pular de paraquedas e de asa deltas rsrrs, enfim, eu fiz faculdade mas me arrependi do curso, hoje faria outro, o importante na vida é que cada um a sua maneira não a deixe passar em branco! Bjooooosss

Astrid Annabelle disse...

Gostoso de ler seu texto Lúcia..é como conversar com você mesmo, como disse acima a Cristina!
Esse questionamento todo eu já me fiz num tempo mais lá atrás... e passou...não me arrependo de nada. E não faria nada igual outra vez...kkkk
É a vida...ela existe para experimentarmos nossas escolhas...

Eu apoio a ideia de você escrever um livro..eu o leria com muito gosto.
Beijão...qualquer dia eu volto..estou muito pouco na net.
Astrid Annabelle

Palavras Vagabundas disse...

Lucia, acho que chegamos a uma idade que nos faz refletir sobre o que ficou para traz para trazer paz para o que vem para frente. Tem coisas que não fiz e nunca farei, mas há outras que se tiver a oportunidade certamente farei, gosto de desafios. Nunca havia andado de montanha-russa andei pela primeira vez aos 52 anos e digo: Nunca mais! risos
Beijos e ótima semana
Jussara

Marli Borges disse...

Lúcia querida! Um desabafo e tanto amiga! A vida é assim mesmo, sinuosa, cheia de curvas, cheia de senões. E nós a procura de respostas. Mas acho mesmo que não há respostas. Acho que esses questionamentos são universais, eternos e infinitos. Talvez para contrabalançar nossa finitude. Não sei, sigo na dúvida também.

Gostei muito do seu texto. Parabéns!

Bjs

Rachel disse...

Eu estava pensando nisto outro dia. A conclusão que cheguei, é que não mudaria um milímetro de nada que vivi, porque isto implicaria eu não estar aqui, hoje, do jeito que sou, com a família que tenho e com a minha história! Sabe, me deu uma certa angústia por pensar o que eu teria mudado em minha vida, SE tivesse feito diferente. Não quero perder o que tenho e que sou agora. Mas posso me aventurar a viver algo diferente hoje. Porque amanhã, não sei... Só sei que fará parte do que sou agora... Bjks mana!

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Lucia, eu só tenho uma ressalva e uma bronca para te dar, sobre esse texto maravilhoso.

vc tá se olhando pra baixo demais, viu? vc tem MTAS QUALIDADES, fez mta coisa boa na vida. se dedicou para muitos, por muitos e muitas coisas...

claro que é bom a gente ir criando novos rumos, novas coragens. mas não pega tanto no seu pé, nem se coloque pra baixo. e tenha mto orgulho de tudo o que fez, do que vc é, uma mulher e tanto!

mediocridade? vc passa longe disso. pq um medíocre jamais teria a menor noção de enxergar um décimo do que vc enxerga e sente. ao contrário, sua alma é nobre.

um beijão! gosto mto de vc

Márcia Balz disse...

Pois é né, Lucia...acho impossível chegar a uma certa idade, em nosso caso,cinquenta, sem olhar pra trás e fazer essas reflexões.
Acho faz mais parte de um check up interno em nos perguntamos quem somos,como chegamos até aqui e principalmente pra onde vamos.
Falando sobre a questão de valores primeiro temos que identificar os nossos, a dúvida vem quando comparamos os valores atuais, dos outros.
Somos o resultados das nossas escolhas que são só nossas e por causa delas somos felizes ou não. Os outros pouco tem a ver com isso.
Se escolhemos ser mães temos que fazer o melhor possível, se optamos por carreiras estreladas abrimos mão de outras coisas. Cora Coralina não fez faculdade e se tivesse talvez não fosse a poetisa que é. Falo no presente pois a obra de alguém é imortal.
E essa imortalidade vale para as mães, avós, tias, comerciárias, executivas que tenham vivido sua vida com amor. E por isso serão lembradas. Bjim!

Sheyla - DMulheres disse...

Lucinha, medíocre, isso nunca.. sou sua fã rsrs
Parabéns belo texto , maravilhoso, verdadeiro. Acho que chegamos num determinado momento da vida que olhamos pra nós mesmas.Não faria um monte de coisas dessas suas tb, tenho medo de tanta coisa rsrsr Mas, tem coisas que ainda desejo fazer, viajar com a mochila nas costas pela Europa,e outras coisas mais.

Isso dá muita conversa, com direito a bolo e café rsrs
Bjos e boa semana.

Bill de Oliveira disse...

Que lindo Post Lúcia...

"Tornar-se oceano..."

Grato por esta beleza.

Mara Lucia Bechara disse...

Imagine mediocre!! Texto brilhante sempre,há as pessoas que por natureza são aventureiras, eu não....moro no campo por circunstância,sou urbana!!!!Tem horas que nos questionamos outro dia vim aqui e desabafei ,que estava sem sonhos e não concebia viver assim,estava sem ver o horizonte!!!Aí Lúcia minha melhor terapêuta,eu mesma....cheguei a conclusão que estava fazendo tempestade em copo de água!!Sempre tive uma vida calcada em objetivos,e um problema de saúde me abateu....Mas dou tudo para ter uma vida sossegada e tranquila,um bom livro,um filme,meus documentários preferidos da Sky, meus trabalhos manuais,o aconchego do meu lar hoje me dão prazer....Agora amanhã pode dar um faniquito de fazer algo diferente!!!
Não me arrependo do que já fiz e o que não pude fazer foi por algum motivo ligado aos meu filhos ou marido.Falei para minha filha hoje quero viajar mais,mas me falta companhia e no momento $$$$.
Faça uma análise de quantas pessoas a sua volta durante os anos dependeram e dependem de seu apoio,generosidade,amor e conselhos e verá que o que quer que tenha feito em sua vida você deu e dá muito de si mesma....Obrigada pela visita e palavras lá no blog...bbjjjss

Rosa Branca disse...

que belo post, e assim vamos seguindo em frente com nossas diiculdades e limitação, muito bom.
Um abraço carinhoso

Paty Alves
Ágape Amor Verdadeiro
Patyiva
Vou Conseguir

Pepa disse...

Oi Lucia, é a Vi,o que eu gostaria de fazer?
Quando eu achava que tinha poder absoluto da minha vida queria fazer muitas coisas, pois acreditava que isso me faria mais feliz, que conseguiria realizar meus sonhos..
Depois de muitos "tombos", aceitei que existe uma força muito maior regendo minha vida, então, estou me aceitando como eu sou..
Não se torture com as duvidas, seja feliz com as certezas.
Muitos beijos,Vi