E então, já é Natal?

 Já começo a ler, aqui e ali, notícias sobre o Natal. Os shoppings, timidamente, ou "acintosamente", como no Ponteio Lar Shopping, de BH, já mostram Papai Noel e cia. com toda sua pompa e circunstância. Desconfio que um Natal tropical me agradaria, mas esse importado, todo americanizado, me deprime. E a perda do verdadeiro sentido dele me entristece mais ainda.
Li no blog da Fal Azevedo, que, tenho certeza, você conhece (se não conhece, nem imagina a figura de pessoa que ela é, com seu humor, sua inteligência, seu palavreado todo próprio, que longe de ser "errado" é uma brincadeira deliciosa de um tradutora bem humorada, paulistana, escritora, gente boa por demais. Então, que li essa pérola, que define bem o que sinto nessa época de Natal. Começa com a citação de um amigo dela (de quem omito o nome e substituo pelos pontinhos) e continua com o que ela mesma pensa da movimentação toda da data.

"....., nosso dalai lama de cueca samba canção, chama o Natal de 'A grande depressão'. Nesta terra de metrôs que não andam (gente, alguém me explica o metrô? Trudia, parada na estação Vila Madalena, ouço moço fofíssimo perguntar "Ixi, será que não era bom a gente sair e empurrar?', gargalhadas gerais, risos de nervoso), as prateleiras lotadas de chocotones do Ben 10, panetones da Barbie, pais-natal de chocolate, estrelinhas e anjinhos. Em breve, muito breve mesmo, Simone avisando com oito semanas de antecedência que "então é Natal". E a criatura lá, presa na imobilidade, na passividade-agressiva, ou na só agressividade, na dor, no CALOR, naquele bando de comida horrorosa pressa época do ano, beijando tias hiper-maquiadas e tios suados, ganhando meia e caneta com luzinha de raio-laser (se bem que os gatos gostam.... da luzinha jedi, não das meias) e repetindo a mesma mentira abjeta e escrota de todos todos todos os anos: é pelas crianças. Pobres das crianças, vocês deveriam se envergonhar de fazer isso com elas."
http://dropsdafal.blogbrasil.com/


Não é isso mesmo? Em nome das crianças, que acreditam em Papai Noel, passamos pelos absurdos que vemos por todo lado, numa movimentação frenética.
Claro que há a parte boa: pelo menos uma vez por ano filhos visitam os pais, seja para cumprir a tradição, seja para realmente estar com eles, talvez morem distantes uns dos outros e não tenham disponibilidade para viajar mais do que esta vez no ano;
tem a parte boa da confraternização (mas pra isso há o dia 1º do ano, que é o da Confraternização Universal), onde amigos se procuram, empresas se movimentam para oferecer um agradinho aos funcionários, nem sempre só bons. Quem nunca ficou meses com um peru no freezer, esperando um dia para fazê-lo, porque a festa da empresa foi perto demais do dia 24 e o menu estava completo, visto que não se sabia que iam dar um peru de presente?  
Tem a parte boa de que todos os corações se abrem ao amor, pessoas fazem uma limpa nos armários, juntam brinquedos, pegam aquilo de que menos gostam e dão para as campanhas de caridade, creches, para fazer uma criança feliz, nem que seja 1 dia por ano.
Claro, também, que têm as pessoas que se mobilizam e fazem campanhas para que se comprem brinquedos para alguém encher um caminhão e levar nas comunidades pobres. E olha só, que criança não fica feliz ganhando uma linda bola de plástico? Ou uma boneca sem cabelos, sem olhinhos, esses apenas desenhados no rostinho, uma roupinha mequetrefe, mas coloridinha? 
Um joguinho de varetas, um baralho, um quebra-cabeças de 12 peças, um caminhãozinho de plástico ou madeira, que vai ser puxado por um barbante nas ruas sem calçamento, com esgoto a céu aberto? (Quem doar, doe um bom presente, não precisa ser caro, mas escolhido com carinho).
Bom, melhor quem faz isso do que quem não faz nada, como eu.
Por que, infelizmente, não gosto da data e não consigo me alegrar com nada, nesse período.
Acho uma tristeza que se negligencie o Dono da festa para que luzinhas coloridas, árvores enfeitadas, um velhinho morto de calor em roupas horrorosas , se tornem os protagonistas.
Sei, também, que há milhares de famílias que cumprem todas as tradições da data, com amor e desvelo, realmente acreditando no seu valor e cumprindo seu sentido religioso.
Mesmo com alegria extrema de ter meus filhos, genro, nora e netos por perto, ainda preciso aprender a gostar de Natal.   

19 comentários:

Sheyla - DMulheres disse...

Lucinha, pura verdade.Lindo texto e vem bem a calhar por essas horas. O verdadeiro espírito do Natal é esquecido por entre as filas enlouquecedoras, as pessoas apressadas para garantir a felicidade em seus cartões de crédito...Ufa!! É um lufa-lufa.

Beijos querida e um lindo Domingo na Paz.

ML disse...

Eu gosto do Natal porque a gente se reune na casa da minha mãe.
E lá em casa, não rola presente pra todo mundo. A gente faz amigo oculto e leva presente pra criança (no momento, só 1). Acho que Natal tem "cara de neve" - ou pelo menos de frio. E no nosso Natal tropical as comidas típicas não rolam lá em casa, são substituidas por outras bem mais leves. E nada de ceia à 12 noite: comer tarde faz mal! A gente ceia + ou - às 9 hs e depois fica batendo papo.

bjnhsssssssssssssss

✿ chica disse...

A cada ano parece iniciar antes o Natal. Esquecem apenas que ele deve nascer em nosso coração primeiro, antes das luzes e aparatos todos! Gosto da reunião ,mas nessa época acentuam-se as diferenças! Pena! beijos,chica

Palavras Vagabundas disse...

Lucia, você sabe que gosto do Natal!Todo ano monto meu presépio, com algumas peças com mais de 100 anos. Sempre nos reunimos como família e uma das coisas que sinto é a modernidade ter perdido a Missa do Galo, lembro-me de ter ido muitas vees com minha família. Hoje a Missa é as 20hs! Logo após a morte de meus pais os dois primeiros natais foram tristes. Como eles adoravam essa festa, no terceiro ano nos animamos e hoje é uma grande festa, outa vez. Afinal minha neta e sobrinhos-netos merecem participar dessa tradição. Sempre fazemos uma oração antes da ceia agadecendo por mais um ano juntos, isso vem desde a casa dos meus avós. Entre outras coisas, todos os anos tiramos uma foto dos irmãos juntos! Hoje as fotos vão contemplando outras variáveis, eu com minhas filhas, neta e outras. Sempre incentivo que as famílias comecem suas próprias tradições, são lembranças inesquecíveis! Outra coisa eu nasci no Natal e minha irmã um dia depois dele. Trocamos presentes, nada muito caro, mas com muita farra e risos.
Gosto tanto do assunto que praticamente fiz um post!
bjs
Jussara

Fal disse...

Lu, é uma enorme alegria aparecer saqui, sabia? Nossa, obrigada. E sabe, a obrigação, a violência da data me assusta. Gente que não se gosta, que não celebra, que não vê o Natal como recomeço, e sim como tortura, ocasião para exibir carro novo e para torturar a prima solteira com perguntas do tipo "mas nossa, Fulana, você não vai casar, desse jeito você nunca vai ter filho". Tenho horror, não participo de nada disso. Olha, meu carinho em você, tenha um bom domingo. :o)

Cristina Pavani disse...

Oi Lúcia!
O natal me dá claustrofobia: ou fico quietinha em casa, ou vou para a roça.
É quando não vejo a hora que tudo se acabe.
Um abraço.

Laura disse...

Sabe Lucia enquanto morava no Brasil tb nao gostava de natal, era sempre triste, minha mae quase sempre triste ou brigada com meu pai por conta das dificuldade$$ da vida, e foram raros os natais felizes.

Aqui não sei pq, talvez por ser frio, a-do-ro. Fico louca com as decoraçoes, cada ano quero uma arvore de natal mais bonita, nao fazemos muita comida, uma entrada, um prato e uma sobremesa. Juju ja escreveu a cartinha pro papai noel e eu ja estou contando os dias pra poder montar a arvore!!

Bjss

Deusa disse...

Então somos duas,eu nunca gostei muito destas festas,não acho que tenha a ver com o nascimento de Jesus,e sim com comida boa,bebida e as compras.Mas faço o que posso para que Maitê goste,montamos a arvorezinha(várias vezes),faço o jantar e tudo o mais como manda o tal figurino,mas por mim....não vejo o porque.
Bjs
Deusa
vasinhos coloridos

Beth/Lilás disse...

Lucia,
Eu também já falei por alguns anos sobre este tema, nem sei mais o que falar, porque a cada ano a coisa muda e sempre pra pior, porque o consumo só cresce, cresce e cresce.
No fundo, acho o natal e suas luzinhas e enfeites a coisa mais linda do mundo, mas é complicado, cansativo e enjoativo às vezes.
Então, já é Natal????????
Ai que tortura a Simone de novo, valha-me Deus! rssss
bjs cariocas

Georgia Aegerter disse...

Lucia, realmente uma ótima reflexao.

Eu continuo gostando menos do Natal comercial.

Há se perdeu o berdadeiro sentido do natal que é festejarmos o nascimento de Jesus.

As pessoas nem lembram dele nesta noite. Só dos presentes, roupas e a comida gostosa.

Para mim, é muito trabalho cozinhar todos esses dias de festaa, porque por aqui natal se estende até o dia 26 de dezembro.

O que gosto é que ao menos ainda, a familia se reune e como vc escreveu "ao menos uma vez no ano os filhos lembram de visitar os pais, avós e outros parentes."

Um grande beijo e por aqui tb já está tudo reluzindo em verde e vermelho e muitos pisca piscas.

Luciana disse...

Infelizmente roubaram a data da festa pagã pra virar niver de Jesus, sou mais ela que a religiosa. Depois que vim morar na Noruega eh que realmente entendo o sentido das festas pagãs, porque a gente ver mesmo as mudancas na natureza e tudo faz sentido. Tudo bem, no Brasil eh verão e seria diferente, mas acredito que nossos antepassados indios tinham suas tradicões e festas, mas isso eh irrelevante pra sociedade brasileira, a gente tem visto nas noticias recentes como os indios continuam sendo tratados.
Ih, fugi um pouco... Voltando.
Então, o natal, religioso ou pagão, perdeu todos os sentidos, porque hoje em dia a festa eh das lojas, as criancas so esperam por mais e mais presentes, exigem, pedem, fazem listas, cartas pro velhinho... Acho tudo ridiculo demais. Esse excesso de consumismo que tira o sentido de tudo na vida. Aqui no NOruega as lojas ja se preparam pro Natal e ja encontramos as delicias natalinas nos superemercados, mas eh bem menos exagerado que no Brasil, mas me refiro as lojas, porque o consumismo deve ser igual.

Beijo

Heloísa disse...

Lúcia,
Eu gosto de Natal como festa de família, como oportunidade de reunião movida por um sentimento cristão.
Já escrevi algumas vezes no meu blog sobre a data, sempre enfatizando o papel de minha mãe e mostrando como conseguíamos reunir mais de 60 pessoas (só família próxima).
Agora que ela não está mais entre nós, estamos tentando resolver, com dificuldade, a forma de nos reunirmos.
Beijo.

Kellen Bittencourt disse...

Oii Lucia, gostei bastante do texto, a euforia da data geralmente faz as pessoas esquecerem do porque dela, já vi famílias que ceiam sem sequer fazer uma oração antes, preocupadas com as trocas de presentes, mas já vi o contrário tbém, nunca tive natal em casa, passei natal com várias amigas e namorados antes de ter minha própria família. Meus pais não comemoravam o natal por isso pulei muito de casa em casa, confesso que sinto falta de não ter um natal da minha família p me lembrar! Acabei herdando um pouco esse desinteresse pela data e hoje me esforço p que minhas filhas tenham lembranças melhores que as minhas! Bjoooss

Nina disse...

è nao é que é verdade menina? aqui tbm ja estao vendendo os chocolates de papai noel e os biscoitos comuns (aqui) dessa época. Acho tm cedo, mas fazer o que ne? dai qd chega a data ta todo mundo ja enjoado de tudo. Aqui ate ja nevou, coisa comum em dezembro...

eu sinto falta do natal na casa da minha mae, qd a gente se reunia, era bom sabe? Aqui a gente passa nos sogros, nao é ruim, mas é sem graca :-(

Lucia, achei bem legal vc dizer que talvez faca o texto. Esqueci de escrever la que a intencao tbm seria, depois de escrever, mostrar ao filho o texto impresso.

Bjs querida

She disse...

O tempo voa demais da conta! Ui! Agora faltando dois meses, a gente vai piscar e ele vai chegar! :0
Beijo, beijo querida!
She

Juju Balangandan disse...

É isso aí, devolvam-nos nosso novembro, sem bolas vermelhas e sem neuras antecipadas de final de ano.

Calu disse...

Lucia,
a cada ano vemos os apelos comerciais começarem mais e mais cedo.O consumo assumiu espaço em quase todas as festividades ocidentais.
Esta é uma data que desperta alegrias e tristezas por tudo o que significa e por tudo o que passou a significar. Enfim,façamos a nossa parte solidária e vamos curtir o que de bom há na data.
Pois é, já é Natal!
Bjos,
Calu

Silvia Masc disse...

Lúcia, eu gosto do Natal que reúne a família, detesto o excesso de comida. (oferta e consumo)só de olhar me sinto satisfeita e como pouquíssimo. Há alguns anos temos feito ceias simples e com alimentos mais adequados ao nosso clima, peixe assado, salada de folhas etc... Ultimamente tenho ido para a praia, o que faremos esse ano também, uma cidadezinha pequena no litoral da Bahia, na cia. da minha irmã e cunhado e tem sido assim nosso Natal tranquilo e amoroso. Concordo muito com o teu texto.
Beijo carinhoso e votos de um Feliz Natal, para você família,e que seja do jeitinho que você gosta.

Marli Borges disse...

Lucia, eu adoro o Natal, e agora mais ainda, meus netos já estão maiores e há mais trocas entre a gente. Adoro esse colorido, essa movimentação. Claro, tudo sem exageros, pq o que é demais sempre faz mal. Só não gosto mesmo de natal em novembro. Essa euforia antecipada não me agrada nem um pouquinho. Vai banalizando muito as "boas festas". Mas, enfim, o mundo mudou. Um beijo amada!