Aos mestres, com carinho


Não se pode generalizar a respeito de nada.
Por isso meu elogio aos professores, como um todo.
Não é uma profissão fácil e continua desvalorizada pelo Estado.
Sou professora formada no Curso de Magistério, ou Formação.
Ao terminar o 4º ano do Ginasial, optávamos pelos curso de Magistério, ou o Científico, ou o Clássico (este não sei informar do que se tratava, mas me lembro que as meninas mais abonadas o seguiam). Ai, gente, isso foi a long time ago, nem vou dizer quando, mas muita gente vai se lembrar.
Quem seguia o Científico era quem queria fazer o vestibular, continuar os estudos, e o Magistério era um curso profissionalizante, saíamos dele formadas professoras primárias. (Que hoje seria a metade do 1º grau. Quem daria aulas da 5ª à 8ª série teria que ser mais especializada).
Era um curso chamado de "espera marido", pois as meninas se casavam na faixa dos 20 anos, e era uma profissão "permitida" por todos os homens e os pais ficavam orgulhosos em ter filha professora.
Pra dizer a verdade, não troco meu simples curso de Magistério (correspondente ao 2º grau) por nenhuma faculdade que pudesse ter feito. 
Claro que ainda naquele tempo (anos 70) o ensino era outra coisa, outro departamente. 
Levado a sério, professores altamente capacitados. (De novo, sem generalizar).
Tive os melhores professores de BH, estudei no Colégio Municipal, praticamente dentro de uma favela, onde passei 9 anos, ia e voltava a pé, contornando uma (hoje) das mais perigosas favelas da cidade. Na época, favela era comunidade de pessoas sem muitos recursos, montavam seus barracos e iam viver a vida. Não era lugar de bandido, que este anda por todo lado, usa até terno e gravata.
O tempo todo que passei no Colégio, tive apenas um diretor, Prof. Guilherme, que tratava-nos como filhos, inclusive se mudou para perto da escola e seus filhos lá estudavam. Colégio público, na minha época, era de primeira qualidade, competia com qualquer escola particular e ganhava da maioria.
Amei aquele Colégio, por onde passaram muitos nomes importantes.
Meu pai era um expert em Português e ensinou aos filhos o prazer de ler (minha mãe tb era devoradora de livros) e o prazer de escrever corretamente, de recorrer ao dicionário sempre. Por isso sou tão chata nisso, mas acho que é um dever termos cuidado com a língua pátria.
Dei aulas por apenas 2 anos, porque me desencantei da profissão. Trabalhei numa escola estadual, o salário de contratada era miserável, de verdade! E as turmas (lecionei para a 4ª série) já começavam a se desinteressar pelo estudo, as brincadeiras em sala de aula, o desrespeito, já eram comuns, embora eu tenha conseguido levar minhas turmas numa boa, era brava mas gentil e carinhosa.
Casei-me, mudei de cidade, desinteressei-me de vez pelo magistério e hoje lamento não ter seguido minha verdadeira vocação, que é ensinar.
Por isso tenho esse ar professoral, que pode ser confundido com muita coisa, às vezes dando um simples comentário num post. Já li e tomei como indireta, que "as pessoas chegam aqui e ficam dando conselhos, como se eu fosse uma criança e nada soubesse da vida" (algo mais ou menos assim), sem entender que é apenas um lado maternal, um lado de professora, doutrinadora, que é natural em mim e que faço esforço para tirar, mas é difícil.
Para ser professor tem que ter, em primeiro lugar, a vocação pura e genuína.
Professor sempre teve salário incompatível com o desgaste da profissão.
Não é fácil s a b e r ensinar.
Meu carinho e admiração a todos os professores que honram sua missão de formar cidadãos para o mundo, abrindo suas mentes, clareando seus conhecimentos, apontando um futuro melhor para quem se levar a sério.
Aos mestres, com carinho.

11 comentários:

✿ chica disse...

Linda tua história e também fui professora por pouco tempo. Logo engrenei na escadinha com os filhos e estava sempre grávida; nem podia pensar em nada... Depois que o último nasceu foi que fui estudar Direito e quando chegaram à adolescência, chutei o balde,sr. Larguei...

Linda homenagem aos professores, pois eles devem ter realmente VOCAÇÃO e muito amor pra dar junto com as lições. Hoje, ainda mais do que antes, são mal tratados, desrespeitados,por alunos e governos. Pena!! beijos,chica

Beth/Lilás disse...

Linda história de um passado onde fomos criadas para sermos professoras e os meninos médicos ou militares.
Admiro muito a força de vontade e abnegação daquelas que ao se formarem, iam dar aulas em lugares distantes ou inóspitos, quantas moças eu conheci assim. Também me formei para dar aulas, pois o curso de Letra é basicamente para isto, mas minha visão já era diferente, queria trabalhar em outras coisas que pudesse aplicar meu conhecimento da língua e assim o fiz, como secretária executiva por muitos anos, mas minha admiração por aqueles professores, do primário principalmente, onde forma-se e abre-se as cabecinhas para o conhecimento que é a luz da vida.
Parabéns a você e a todos nós envolvidos nesta arte de transmitir conhecimentos!
beijos cariocas


Valéria disse...

Oi Lúcia!
É, ser professor não é para qualquer um, tem que ter vocação e abnegação. Hoje o que vejo é que muita gente faz o curso porque é mais fácil passar no vestibular e é importante ter um curso superior, depois vem as reclamações e a má vontade em exercer a profissão, pois sempre esta foi uma profissão mal remunerada e desprestigiada.
Muito pertinente a forma como você fez sua homenagem. Parabéns!
Beijinhos e uma ótima semana!

Élys disse...

Tem razão para ser professor tem que ter extrema vocação.
Um grande abraço a todos os professores por este e por todos os dias em que se dedicam arduamente.
Élys.

Bombom disse...

Aqui em Portugal o cenário é idêntico. Antes do 25 de Abril os professores do Ensino Primário eram muito mal remunerados, mas eram muito respeitados por toda a comunidade. Depois dessa data histórica, a sua situação económica melhorou um pouco e a sua Formação Contínua também. Mas desde 2000 que a situação económica e o estatuto social do Professor se tem vindo degradando extraordinàriamente e até já há quem agrida os professores dentro das Escolas. Actualmente, com a desculpa da crise económica, é o próprio Estado a "agredir" os seus Professores deixando-os no desemprego (45000, este ano), reduzindo-lhes os já magros salários e aumentando-lhes os impostos. Se assim continuarmos, brevemente não haverá Escolas nem Educação. É muito triste...
Bjs. Bombom

manuel marques Arroz disse...

Bonita homenagem.

"Mestre, depois de pai, é o nome mais nobre e mais doce que um ser pode dar a outro."

Beijo

Misturação - Ana Karla disse...

Poxa Lúcia, que história a sua.
Penso que você teria feito uma carreira brilhante, sem dúvidas.
Também comecei a ensinar no Estado, mas a experiência foi péssima, por isso estou afastada das salas de aula, mas continuo com educação de crianças.
Parabéns a você!

Calu disse...

Ô saudades deste tempo de aluna desde a escola básica até o Curso Normal.De fato, Lucia,eram tempos de respeito e valorização ao conhecimento e consequente
formação gabaritada.
Iniciei minha prática profissional quando o filho mais novo tinha dois anos e cumpri 26 de atuação,contando mais alegrias que desilusões no que se refere aos alunos em especial.
Os blogs permitem esses resgates memorialistas que nos alimentam a alma.
A homenagem aqui feita, ganha mais brilho com o acréscimo de tua história pessoal.
Parabéns a vc e a todos aqueles e aquelas que são comprometidos com a educação formadora e cidadã.
Bjos,
Calu

Palavras Vagabundas disse...

Sou muito grata aos meus professores e me lembro de muitos até hoje!
Como somos do século passado (risos), só nós sabemos o que era classico e cientifico. Fiz clássico pois era o que direcionava para os vestibulares de humanas, científico era para as técnicas (engenharia e bio-médicas). Também estudei a vida toda em escola pública e não troco o que aprendi por nenhuma escola chic de hoje.
bjs
Jussara

Kellen Bittencourt disse...

Oii Lucia, a homenagem aos mestres é merecida sem duvida, eu durei um pouco no ofício rsr, 20 anos como professora, dos 18 aos 38, até que joguei a toalha, mas não me arrependo, tenho uma qualidade de vida bem melhor do que eu tinha, qdo dava aulas vivia doente, os melhores anos foi dando aula na faculdade do curso de Artes Cênicas que me formei, depois me desiludi, cansei mesmo! Admiro muito quem sobrevive aos percalços da profissão! Bjossss

ML disse...

Ensinar é uma arte, Lucia, mas acho que também é uma profissão.
Entendo quando há greve por conta de salário atrasado - ninguém tem mesmo de trabalhar de graça.
Fora isso, quem não está satisfeito na profissão que tem, que mude.

bjnhssssssssssss