Era uma vez... Uma memória avariada...

Para comemorar os  6 anos do blog http://pensandoemfamilia.com.br/blog/, a Norma convida a falar de nossa vida, a partir de uma foto, uma lembrança. 
Já falei algumas vezes que não tenho memória da minha infância e juventude, a não ser de pequenos flashes, algo que me ocorre se alguém fala muito sobre. Algumas vezes isso me incomoda, outras nem penso nisso.
Atualmente uma foto me emociona. Não tive vontade de colocá-la na caixa de fotos. Deixo-a no armário, bem à vista, quero que fique ali.
Eu, aos 2 anos e Carlos, meu irmão, com quase um ano. 
Carlos não está mais conosco, morreu há quase 3 anos. Talvez por isso não quero deixar a foto "enterrada" na caixa.
Sou a terceira filha e ele foi o primeiro filho homem. Foi muito esperado, com certeza. Tenho uma carta, onde meu pai escreve para avisar a minha avó do meu nascimento. Ele diz que mamãe achava que estivesse aborrecido por ter tido mais uma menina e ele dizia que não, que estava satisfeito. Então, com a chegada, 1 ano e meio depois, do primeiro varão, certamente ficou muito feliz.
Eu e ele tivemos uma boa relação, ele sempre me agradou e eu sempre tentei ajudá-lo quando precisou, em momentos confusos de sua vida. 
Eu fui a primeira de cabelos escuros. As duas irmãs acima de mim eram loiras e Carlos era ruivo, herança do avô materno. Eu era pequenina, eles eram grandes.
Minha família não era de tirar fotografias, embora me lembre que meu pai tinha uma máquina maravilhosa, alemã. Acho que a revelação era algo caríssimo e ele não tinha como revelar fotos todos os dias, sei lá eu.
Esta foto era de uma tia, que me deu há uns 10 anos. 
Vivemos nesta casa e nesta cidade até os meus 7 anos, quando viemos para a capital, Belo Horizonte, e daqui não saímos mais. 
Uma foto traz mil lembranças, ou nenhuma, como esta. Mas sei que envolve muito amor e carinho. Éramos, os 4 de meus pais e mais 2 de outra tia, os primeiros netos maternos, então reinávamos nos corações de tios e tias. 
Noto minha mão na perninha dele, talvez tentando apoiá-lo, talvez um carinho. 
Éramos bem felizes, os sorrisos atestam.
Lembranças que não tenho, de um tempo que passou, mas que fez de mim o que sou.
E a minha história pode ser um pouquinho assim: 
"Era uma vez uma menininha de cabelos escuros, fartos, cacheados, que se sabia muito amada, mas que não se lembrava de nada da vida dela. Sua memória eram os irmãos e a mãe. Mas ela não pensava muito nisso e se contentava com o que lhe contavam sobre seu passado. 
Afinal, não dizem que 'o que passou, passou'? 
Melhor deixar o passado lá, onde ele mora.
E viver o hoje, tentando guardar melhor suas lembranças."


15 comentários:

Allan Robert P. J. disse...

O passado nos acompanha e serve para lembrar quem somos.
É sempre bom conhecer um pouco mais dos amigos, das pessoas, das fotos...
:)

✿ chica disse...

Que linda tua foto escolhida e o teu modo de contar...Adorei! E as lembranças que existem são as que valem, o resto, deixa mesmo pra lá! Se não lembras, deixa assim,né? beijos, tudo de bom, linda semana! chica ( obrigadão pelo carinho!)

Luciana Klopper disse...

Que Emocionante Lu, amei !

Ana Seerig disse...

Lúcia,

Acho que as mais belas memórias são aquelas surgidas ao acaso, de uma conversa ou de uma foto.
Se a gente ficar muito tempo relembrando o que passou, não olhamos pra frente, certo?
Achei linda a foto e adorei teu texto.

Beijo!

Roselia Bezerra disse...

Olá, querida amiga Lúcia
Gosto do seu jeito de reviver, sem sofrimento, o que passou... não vale mesmo a pena recordar tristezas ou dissabores com rancor ou similares!!!
Bjm fraterno

pensandoemfamilia disse...

Obriga querida Lucia

A forma como trouxe o seu recorte de história foi bem emocionante. O que fica são as nossas lembranças e nas suas algo se destaca, o ser amada.bjs

Clara Lucia disse...

É bom se lembrar do passado, das coisas boas, das alegrias, risadas... família, família é sempre bom ser lembrada.
Delícia de saber de vc, menininha com cabelos fartos e sorriso fácil, pelo menos nas fotos de hoje é assim. Linda!
Beijos

Ailime disse...

Olá Lúcia,
Adorei a sua historia de vida, porque realçou o amor!
O futuro assenta no passado e se a base for o amor temos um bom caminho pela frente!
Beijinhos,
Ailime

Jeanne Geyer disse...

tb participei da blogagem, e como de costume vou nos outros blogs, sempre tenho agradáveis surpresas como na tua históra, narrada de forma espontânea. te convido aconhecer meu cantinho,bjs

http://mentesinfantisfuturodapaz.blogspot.com.br/

Toninho disse...

Ola Lucia, bem interessante o foco de sua história sem o normal saudosismo, que certamente empregamos em nossas lembranças e historias.
O passado é um retrovisor que está ali para nos preparar do que posso nos alcançar.
Uma bela semana a voce e meu terno abraço mineiro de flor.

Socorro Melo disse...


Oi, Lucia!

Gostei demais da sua fotografia, aliás, sou fã de fotos em preto e branco. Você e seu irmãozinho estão lindos, e a história que você contou é muito interessante. Na verdade ninguém lembra mesmo de muitos detalhes, pelo menos de quando somos crianças, vamos resgatando pelo que nos contam. Achei bem legal, como sempre são, os seus textos.

Beijos
Socorro Melo

Marly disse...

Oi, Lúcia.

Este post me remeteu a coisas de ninha própria família, rsrs. O desejo de ter filhos homens era natural, como também o era uma certa frustração pelo nascimento de meninas, mas que coisa tola e injusta que era isso, não é verdade? ainda bem que vivemos agora outra situação. Digo isso porque anteontem mencionei esse fato à minha filha. Acho que no seu caso, o importante é que ficaram as boas memórias do amor recebido e do convívio amoroso com os seus próximos. Eu também acho que a gente deve deixar o passado no passado, triunfando sobre ele devido às melhorias que conquistamos como seres humanos.

Um beijo e bom dia!

Heloísa disse...

Lúcia,
Eu adoro quando encontro fotos da minha infância, que ajudam a lembrar do passado.
Naquela época, poucas eram as fotos. Daí, sua grande importância, como essa foto tão delicada que você guarda com carinho.
Bj.

Rosamaria disse...

Amei tua foto e teu texto! Sou como tu, lembro muito pouco de minha infância e juventude e adoro quando encontro amigos daquele tempo e me fazem lembrar.
Bjim, cosquirídia.

Maria Gloria D'Amico disse...

Lúcia, eu também não tenho muitas mémorias como outras pessoas que eu conheço tem. Muitas vezes as pessoas lembram de cenas que eu nem sabia que estava dentro kkkk.
Mas eu tenho muitas memórias mesmo com a minha mãe, nem pode imaginar como são tantas! Lembro de detalhes.
Adorei ler, adorei a foto.
Bjux amore s2