A alegria de crer

Nem todos os dias se tem inspiração para escrever. Para um profissional, deve ser um caos a página em branco, à sua frente. Ou a tela em branco.
Um assunto que é tabu sempre me leva a escrever textos enormes, que ficam somente no pensamento, nunca acho que devo publicar.
Porque as pessoas, de um modo geral, não todas, felizmente, resolveram que "religião" não é uma boa coisa, que não precisamos de uma para reconhecer Deus e tantas questões mais.
Eu creio e sinto-O em todos os momentos da minha vida. E também "brigo" com ele, quando não entendo a doença da minha mãe ou a morte abrupta de uma menina de 17 anos, de uma meningite que a acometeu de manhã e à noite estava morta. Não há explicação e se não for "o mistério da fé", não há como prosseguir.
O texto abaixo fala por mim. 


No ventre de uma mãe havia dois bebês. Um perguntou ao outro:
"Você acredita em vida após o parto?"
O outro respondeu: "É claro. Tem que haver algo após o parto. Talvez nós estejamos aqui para nos preparar para o que virá mais tarde."
"Bobagem", disse o primeiro. "Não há vida após o parto. Que tipo de vida seria esta?"
O segundo disse: "Eu não sei, mas haverá mais luz do que aqui. Talvez nós poderemos andar com as nossas próprias pernas e comer com nossas bocas. Talvez teremos outros sentidos que não podemos entender agora."
O primeiro retrucou: "Isto é um absurdo. Andar é impossível. E comer com a boca!? Ridículo! O cordão umbilical nos fornece nutrição e tudo o mais de que precisamos.O cordão umbilical é muito curto. A vida após o parto está fora de cogitação."
O segundo insistiu: "Bem, eu acho que há alguma coisa e talvez seja diferente do que é aqui. Talvez a gente não vá mais precisar deste tubo físico."
O primeiro contestou: "Bobagem, e além disso, se há realmente vida após o parto, então, por que ninguém jamais voltou de lá? O parto é o fim da vida e no pós-parto não há nada além de escuridão, silêncio e esquecimento. Ele não nos levará a lugar nenhum."
"Bem, eu não sei", disse o segundo, " mas certamente vamos encontrar a Mamãe e ela vai cuidar de nós."
O primeiro respondeu: " Mamãe, você realmente acredita em Mamãe? Isto é ridículo. Se a Mamãe existe, então, onde ela está agora?"
O segundo disse: "Ela está ao nosso redor. Estamos cercados por ela. Nós somos dela. É nela que vivemos. Sem ela este mundo não seria e não poderia existir."
Disse o primeiro:" Bem, eu não posso vê-la, então, é lógico que ela não existe."
Ao que o segundo respondeu: " Às vezes, quando você está em silêncio, se se concentrar e realmente ouvir, poderá perceber a presença dela e ouvir sua voz amorosa lá de cima."
Segundo encontrei, este texto é de um escritor húngaro explicando a existência de Deus.Não sei o nome nem se procede ser ele um "escritor húngaro".
Só sei que o texto é lindo e me comoveu.

7 comentários:

✿ chica disse...

Adorei o texto , muito reflexivo e lindo! E eu também converso com Ele, questiono e já briguei, por vezes não aceito o que Ele coloca nos nossos dias e assim vamos. Mas importa é que o relacionamento com Ele e o Alto é bom! Sigamos,rs bjs, chica

Cristina Pavani disse...

Lindo mesmo, Lucinha!
Nos faz ainda menores diante do misterioso universo que nos envolve. Passamos por tantas gestações ao longo da vida... Profissões, casamento, maternidade, viagens.

Beijão procê!

Misturação - Ana Karla disse...

Lúcia, é lindo demais esse texto.
Perfeito.
Deus está conosco o tempo todo.
Maravilhoso.
Xero

Roselia Bezerra disse...

Olá, querida Lúcia
Saudade de passar por aqui e ler seus questionamentos...
Muito lindo e não o havia lido quando o vi no face de algumas amigas...
Deus existe e a gente crê pela fé, ainda bem!
Bjm fraterno

Silenciosamente ouvindo... disse...

E a mim também me comoveu muito.
A dúvida daquilo que não se vê!!!
Criar esse texto para dois gémeos ainda
no ventre da própria mãe, só posso dizer
que foi uma ideia brilhante!
Bjs.
Irene Alves

Rosamaria disse...

Muito lindo, Lúcia!
Que pena o pouco tempo que tenho para entrar na internet e o face, que toma conta da maioria dele. O teu é um blog que não poderia deixar de ler, sempre tens textos maravilhosos.
Obrigada pela visita, cosquirídia!
Bjim

Maria Gloria D'Amico disse...

Lú, sabe, eu não gosto de religião e entendo que não é preciso dela para sentir Deus. Eu acho que religião não é o 'religare', como deveria ser. Ela está mais para um empresa, uma organização, muito distante da ligação com Deus, embora pretenda mostrar o contrário. Mas este assunto é uma capítulo a parte, uma outra hora a gente conversa.
Agora a conversa dos bebês me emocionou também. Que lindo! Adorei ler.
Um beijo s2