Causos

Na 3ª feira, saí com uma amiga. Pra não ficar na rua, sujeitas a chuvas e trovoadas, encontramo-nos num shopping. 
Tinha certeza de ter 10,00 na carteira. Ainda cheguei a ir ao banco, dentro do shopping, a fila enorme, cômodo abafado, desisti. Chegando ao caixa para pagar o estacionamento, só tinha uma nota de 5,00. Deu 9,70. Minha amiga vasculhou toda a bolsa e encontrou só 2,30... Não tinha ninguém atrás de nós, na fila. Falei com a moça que iria até o banco, nisso chegou uma moça, ouviu nossa conversa e pediu à moça do caixa que aceitasse o ticket dela, para acertar. A moça disse que não podia aceitar nenhum pagamento enquanto não desse baixa no meu, pois já tinha registrado.Perguntei se podia pagar com cartão, não podia. Falei que se o caixa estava "preso" e o banco estava cheio, como íamos fazer? A tal  moça, impaciente, perguntou quanto faltava, a caixa disse 2,40 e ela deu 3,00 para pagar. Olhei pra ela, agradecendo e me desculpando por travar a fila (que agora já tinha umas 4 pessoas, todas olhando com cara de poucos amigos pra mim e pra minha amiga). Nós, bem arrumadas e sem um tostão nos bolsos. rsrs  E a moça disse, sem um pingo de simpatia: "Pode deixar, se acontecesse com minha mãe, gostaria que alguém a ajudasse". Isso com uma cara bem fechada. 
E nem era tão novinha pra achar que  eu podia ter a idade da mãe dela. Eu, heim!!!

Na 5ª feira, saí de novo, fui ao shopping (outro), não consegui resolver o que queria e fui para o centro da cidade. De ônibus. Quando estava no ponto, lembrei-me que só tinha uma nota de 50,00. (comigo é assim, calça de veludo ou bumbum de fora, né?). Uma mocinha no ponto, perguntei a ela se sabia se o trocador dava troco pra 50,00 e ela disse que achava que não. Fui a 3 comércios por ali e nenhum trocou a nota pra mim. Voltei pro ponto e falei que paciência, se o trocador não tivesse troco, eu viajaria de graça. rs Ela abriu a bolsa e ia tirando o dinheiro, falando que tinha trocadinho, me daria. Recusei, claro! Uma menina simples, que talvez precisasse do dinheiro depois e me ofereceu com a carinha melhor do mundo.

Achei interessante os fatos acontecerem tão próximos um do outro. Um por falta de dinheiro e outro mesmo com dinheiro, situações incômodas.
E pessoas diferentes, cada uma com sua generosidade.
A moça do shopping, apesar do gesto de delicadeza, o fez quase que por obrigação, por estar impaciente, com pressa.
A moça do ponto do ônibus, abriu sua bolsa e seu coração, generosamente. Uma baita diferença.
Guardei vagamente o rosto da primeira moça e espero que um dia lhe possa retribuir. Quem sabe?

18 comentários:

Marli Borges disse...

Lucia, que coisa hein, ano passado aconteceu isso comigo, ao contrário. Foi uma moça na área azul. Ela estava só com uma nota grande e não tinha como trocar. Nem pensei, abri a bolsa e paguei o estacionamento para ela. E fiz uma cara ótima, porque imaginei o que ela estaria sentindo nessa saia justa. Nunca estive assim atrapalhada, mas ninguém está livre. A moça ficou muito feliz, pois do contrário perderia a hora de visitas do hospital, que ficava bem ali pertinho. Esses acontecimentos nos dão muitas lições: a raça humana é mesmo imprevisível! Beijos.

Cristina Pavani disse...

Olá, lucinha! você está bem?

Menina, eu tenho um conhecido que trabalha do pedágio, e diz que sempre há pessoas que esquecem de levar dinheiro (só o bendito cartão).
Nem sempre tudo se resolve rápido, ficam esmolando de vários motoristas até adquirir o montante.
A empesa de pedágio? Faz cara de sonsa...
Outro dia, um cliente da oficina esqueceu toda a carteira para pagar o conserto das rodas, então dei a chave da minha moto e ele foi em casa buscar (a cidade não é grande).

Beijos, e ótimo domingo.

Lu Souza Brito disse...

Coisa chata mesmo né Lucia, mas acontece. Certa vez entrou um moço (já com mais de 40) e explicou que estava vindo de longe, trabalhando e que o patrão não dera o pagamento nem para a volta. O cobrador e motorista fizeram cara de 'pouco caso', quase dizendo: 'Se vira, desce e vai a pé'. Eu não sei se ele dizia a verdade ou não, mas achei que sim e me prontifiquei a passar o meu cartão para ele na catraca. A verdade é que nunca sabemos e pode acontecer com a gente quando menos esperarmos.

✿ chica disse...

Que coisa mas serviu para uma bela reflexão e ver as diferenças de pessoas. Fazer algo por obrigação ou pra se livrar e completamente diferente de quem tem a bondade no coração! Tomar um dia encontres esse moça generosa. Legal de ver tuas colocações! beijos,lindo fds! chica

Claudio J Gontijo disse...

Morei durante 18 anos em Belo Horizonte. A cidade dos contrastes.

Mas acho que você foi feliz de duas maneiras; através da generosidade cristalina da moça do ônibus e ao escrever este texto.

Um abraço e um bom fim de semana, Lúcia.

Sheyla - DMulheres disse...

Lucia
Esses acontecimentos nos faz pensar, como tem pessoas ainda nesse mundo que gostam de ajudar por ajudar e outras , até que ajudam, mas por pura obrigação! A humanidade ainda tem jeito, eu acho!! rsr Sua postura nas duas situações são bem pontuais e acho que faria a mesma coisa.

Bjos, sua linda.

Angela Escritora disse...

Oi! Minha irmã era uma dessas, acabava de entrar na garagem quando viu uma mãe com o carrinho do neném no meio do temporal, com cara de angustiada. Tirou o carro da garagem e levou a mãe, carrinho e nenem. Sem contar o dia em que ouviu no rádio que uma pessoa precisava de um bujão de gás. Ligou pra rádio, disse que tinha, lá veio a família inteira , mãe e tres filhos pequenos buscar o bujão. E ela levou família e bujão pra casa:-) E há retorno. Tive uma emoção muito grande quando morava em Cabo Frio. Lancei um livro sobre a cidade e uma professora veio falar comigo: angela, vim te agradecer, há 20 anos eu estava atrasada para o vestibular, chorava na rua, você passava de carro. Parou e me levou até até o local da prova. :-) Vale a pena ser legal!

Georgia Aegerter disse...

Lúcia, incrível os dois extremos que vc viveu esta semana.

Sao situacoes que incomodam, mas que acontecem.

As pessoas reagem de modo incrível.
Serve como licoes para nós.

Bjos

Clara Lúcia disse...

Tem gente que se acha, Lúcia, só porque estão no "poder" acham que educação está fora de moda.
Mas o que vemos por aí e parece que tá virando moda é a gentileza e boa educação.
Os programas de TV estão mostrando mais isso, felizmente.
Essa semana vi 3 programas mostrando pessoas gentis. Que isso não seja um elogio, mas sim uma forma comum de tratar os outros.

Muito oportuna esse seu post. Ótima observação.

Uma bela semana, menina!
Beijos

Lúcia Soares disse...

Lucia....muito curiosas as duas situações. Eu sou a pessoa da pressa, mas sou imensamente gentil, independente da idade, da condição, da raça. Odeio preconceito de qq espécie.

Todas as terças vou a terapia. Tds as vezes em que vou pagar estacionamento, tenho medo de ter deixado a carteira em casa. Paranoia mesmo. Então na última terça, perguntei ao rapaz do caixa: e se eu um dia esquecer mesmo a carteira? Ele disse que eu deixo o RG e pago qd voltar. Tirei uns quilos de peso de cima de mim. E ganhei td ontem na festa!!!! Beijo gd e bom domingo!

Ursula Hummel
www.ursulahummel.blogspot.com
Enviado via iPad

Bombom disse...

Vim para te agradecer de modo especial, a visitinha quando estive doente. Felizmente já passou a fase pior e já estou quase boa, a retomar a vida normal embora a pouco e pouco.
Esta tua experiência acaba por ser muito enriquecedora porque nos alerta para uma situação que pode acontecer a qualquer um de nós. Não devemos deixar endurecer o coração...Ainda bem que tudo se resolveu pelo melhor para ti, mesmo com a "cara feia" (ou resposta desadequada) da 1ª senhora. um abraço amigo da Bombom

ML disse...

Como dizia minha bisa, "cada cabeça uma sentença", Lucia.
Um dia, passeando com minha filha canina, passou um mendigo jovem e ameaçou chutar a Bebeinha. Pensei:também, com a vida que leva, deve odiar o mundo. Mas, 5 minutos depois,passa uma mendiga bem senhorinha e diz pra Béia: "bom dia, coisa linda".
Mostrou que eu estava errada e ainda alegrou meu dia.

bjnhsssssssss

Kellen Bittencourt ( Trilhamarupiara) disse...

Oiii Lucia, imagino a pouca simpatia da moça que pagou o estacionamento,interessante mesmo os dois fatos, eu vivo sem dinheiro na carteira, só ando com cartão de débito, as vezes preciso passar 5 reais no cartão, meu marido fica muito bravo comigo rsrs bjooss

Nina disse...

Dinheiro e troco no Brasil. Um tema que me dá ânsia, serio mesmo, só em pensar me dá dor de barriga :-(

Ao mesmo tempo, é tbm bem observado por vc a generosidade das duas pessoas. Uma por bondade de fato,outra, por propria necessidade...

Bjs Lu

Roberta Salvanhini disse...

Nossa, que semana hein?! Menina, eu sou cheia de passar vergonha por não andar com dinheiro. Mania de pagar tudo com cartão...
Ainda bem que você contou com pessoas 'generosas', rs.

Beijinhos

Beth/Lilás disse...

Incríveis coincidências, Lúcia!
E é assim que se constitui a vida, de seres humanos variados, alguns mais evoluídos e outros nem tanto, né mesmo? Por isso quando boto o pé fora de casa, elevo sempre o pensamento para que Deus me guarde, ilumine meu caminho e me afaste de gente ruim.
um beijo grande carioca.


Toninho disse...

Muito interessante como as coisas acontecem e como se comportam as pessoas diante uma situação inesperada.
Em nosso caminho encontramos pessoas boas e generosas e outras que para elas somos invisiveis e vale a regra do "tempo de Murici".
Um bom causo/reflexão Lucia com toda arte mineira destes.
Um carinhoso abraço amiga.
Uma boa semana de paz e luz.
Bjo.

Agora Somos Três disse...

Ai Lucia, por falta de tempo eu quase não apareço por aqui. Tinha me esquecido o quanto é gostoso ler o seu blog. :) Estou tirando o atraso!!! rsrs

As pessoas são assim, umas vão te ajudar porque tem o coração bom e outras pra ver se vc para de "atrapalhar" a vida dela.

Bjus
Ta