Falar ou calar?

"Finalmente aprendi a lição de não dizer tudo o que eu penso. Calei e estou calada! Mas o que eu faço com este troço na garganta? Como engole? #engole ou cospe?"
Este questionamento a Tati Pastorello levou para o Facebook um dia desses. E me fêz pensar. 
 
 Sempre fui de falar o que penso, mas somente para as pessoas com as quais tenho intimidade. Fui teimosa, queria estar a par de tudo e "sabia" tudo.
 O tempo passou, me contive e me esqueci de muita coisa que já falei, quando deveria ter me calado. Muitas que discuti, parecendo ser dona da verdade. De verdade mesmo, hoje sei que toda a teimosia que mostrei para os meus foi uma arma, uma maneira de dizer que eu era "a tal".
 Falei muita coisa que poderia ter calado, mas me dei o direito de falar e dei ao outro o direito de contestar e anos depois continuar a me jogar no rosto o que falei. Do que não me arrependo nem um pouco, falei com o coração, falei o que deveria ter falado. Não só na minha opinião, mas na de todos.
Porque tem os que são discretos, os que são omissos e os que ignoram a pessoa. A indiferença é o pior sentimento que podemos nutrir pelo outro, então se falo, muitas vezes estou tentando abrir os olhos da pessoa, não a estou julgando ou repreendendo. Mas nada como a vida para ensinar que não temos que dar nossa opinião para tudo. Não temos que concordar ou discordar de tudo. Não temos que nos confrontar com as pessoas, cada um sabe de si. Então, não é necessário falar sempre do que nos incomoda, se não for para ajudar. Respeitar o que o outro pensa.
 A menos que o que é falado nos atinja. Aí não é questão de falar ou calar, mas de se defender.É desgastante levar adiante pontos de vista divergentes. Parece teima, vontade de que a nossa opinião prevaleça.
 Ser conhecida por nossa sinceridade, não deixar passar nada, falar o que se pensa, o tempo todo, dá a quem ouve o direito de revidar da mesma maneira.
 Engolir é necessário se falar não vai nos levar a lugar nenhum. Com o tempo (não tem a ver com idade, mas com maturidade emocional) aprendi que nem sempre é bom falar o que se quer. Deixar para lá é o melhor caminho. A vida se encarrega de dar ao outro a lição que ele merece.
 Cuspir, no sentido de devolver o que foi dito, só gera desgaste. Ou pagar com a mesma moeda a ofensa, causa-me uma culpa que me consome por dias a fio. 
 Ouvir e calar. Absorver. Voltar ao assunto, com calma, bem depois. Pode valer mais. 
 Palavras têm uma força que não se mede. E uma vez a palavra lançada, pode ser que voe em direção ao alvo e seja mortal. No sentido de ferir, de não ter como voltar e recompor o ferimento.
 Atualmente opto por observar mais e falar menos. Mas não ainda com todos. Os de casa bem sabem que tenho um longo caminho a percorrer. Mas já melhorei muito!

(Todas as imagens retirei do Google)

20 comentários:

Laura disse...

Oi Lucia, engraçado seu questionamento, outro dia desses estava pensando nisso. Qdo morava no Brasil, raramente deixava qulquer coisa "passar". Eu era bem dona da verdade, falava, questionava, tinha direitos, fazia, acontecia e tudo mais.

Sempre fui boa nos argumentos e ainda por cima como era estudante de direito me sentia a mais.

Ter vindo morar aqui antes de dominar o idioma, me fez engolir muito sapo calada. Levar o desaforo (e a magoa) pra casa, e aceitar que o melhor era deixar a raiva passar e seguir em frente.

Hoje brigo menos, ouço mais, aceito as escolhas alheias ou se nao aceito, fico calada. Tive que aprender a maturidade emocional na força, mas aprendi.

Beijoss

✿ chica disse...

Uma coisa não aceito: desaforos e esses revido à altura. Não posso engolir sapos,posso morrer de qq coisa, menos de úlceras ,pois coloco tudo pra fora.

Rodo a baiana e vai até a 5 ª geração atingida,srsr beijos,tudo de bom,chica

Heloísa disse...

Lúcia,
"Falo" demais só com meus filhos. E nesse falar demais, devo ter dito muita coisa que não deveria. Mas sempre foi com a melhor das intenções.
Com os outros, sou controlada demais. Mesmo em situações que exigiriam revide, não consigo por para fora o que estou sentindo e pensando.

Obrigada pelos lindos comentários que deixou no meu blog. Fiquei muito feliz.

Beijos.

Georgia disse...

E quem foi que disse que a minha verdade é a tua verdade?

Ouvi isso uma vez e foi um baque.

Desde entao tenho me ponderado e amadurecer emocionalmente é muito mais doloroso.

Parabéns pelo texto, as imagens estao ótimas!

Bjao

Brechique da Dodoca disse...

Vc está extremamente certa qdo diz que se dizemos o que queremos temos que estar preparados para ouvir o que nem cogitamos! Se estivermos... vamos à luta!
Tudo é aprendizado, né? Um dia se chega lá!
Bjssssssssssssss, quérida!

VIVIAN!!! disse...

Oi!! Eu já fui bem assim falastrona, dona da verdade,eu era triste, minha mãe é assim , minha avó materna era assim (faz muito anos q não visito ela, não sei se continua, ela mora longe), minha irmã mais nova é assim, a mais velha coitada , não tem boca pra nada é igual o meu pai...
Eu falo mesmo, o que tem q falar, e escuto tbm se a pessoa quiser falar!!
Não aceito desaforos , não levo nada pra casa, não.
Hoje, tento controlar um pouco, mas qdo vejo já foi!!! fazer o que né, é a minha personalidade e não muda totalmente.
bjs linda semana.

Valéria disse...

Oi Lúcia!
Para os que me conhecem de perto, estes devem dizer entre eles, como Valéria está mudada, era famosa por meus arroubos de ser a dona da verdade, hoje vejo que não levam a nada, só desgaste e muitas vezes é melhor calar que bater boca, porque o certo é que hoje pode ser a pessoa mais próxima a você para se dizer algo ou discordar, o outro fila logo aborrecido e lá vai estresse. Então é melhor ser comedodo com as palavras.rsss
Beijinhos e uma boa tarde!

Lu Souza Brito disse...

Lucia,

Sempre fui bem explosiva e dona da verdade. E o pior, quando ficava ofendida, não só revidava a altura como feria com as palavras também. Isso na minha adolescencia. Aos poucos fui caindo em mim que eu nao sabia nem de mim direito, quem dirá dos outros ao ponto de querer que os demais engolisse minhas verdades e maneira de ver a vida. Já sofri muito com isso. Arrependia-me do que havia dito, mas ai a ferida já estava aberta.

Com o passar do tempo e principalmente com o casamento, fui aprendendo a conter as palavras, ou guardá-las para falar em momento oportuno. Por que nem sempre nao devemos dizer, mas há a maneira e o momento correto de falar. Aprendi isso com meu marido. Morria de odio quando ele ignorava-me e so retomava o assunto quando, tanto ele como eu, já estivéssemos tranquilos o suficiente para nao nos arrependermos do que diríamos um ao outro.
E pouco a pouco a gente vai amadurecendo, vai analisando se é mesmo tao importante gastar 'saliva' com algumas pessoas. Há aquelas que é preferível deixar que o tempo se encarregue de mostrar aquilo que, se tivessemos dito, nao teria sido bem aceito.
Claro que com pessoas mais chegadas, principalmente amigas, sou conhecida por 'senhora sinceridade'. Não ofendo e ja sei em posicionar respeitando o outro, mas não omito, não minto para agradar, nada disso.
Vivendo e aprendendo a cada dia. Mas também nao levo desaforo para casa, por que me corroi. Quando não tem jeito mesmo, mesmo, mesmo, uso uma técnica que se chama 'apagar com a esponjinha'. Imagino-me apagando aquela frase que ouvi, aquele sentimento que gerou a partir de então, e dou um grande sorriso,completando com "que grande bobabgem, isso não afetará a minha vida'.
Parece bobagem, nem sei onde aprendi, mas tem dado super certo.

Olha eu nos comentários gigantes, ahahahahha.
Beijo para você!

Élys disse...

Creio que o principal é saber manter o equilíbrio, sempre em qualquer situação.
Beijos.

Renata Boechat disse...

Eu sou do tipo calada...

escuto tudo, fico quieta, ruminando aquilo por horas, dias até...esperando que o destino corrija e dê jeito na situação...e sabe que muitas vezes isso acontece? uma questão de karma, aqui se faz, aqui se paga? mais ou menos isso...não quero dizer que isso me faça bem, nem um pouco, mas é assim que eu sou...fazer o que né?

meninagarota disse...

OBRIGADA PELA VISITA E FELICITAÇÕES.
BEIJOS, STEPHANIE...

Clara disse...

Oi, Lúcia...

vou falar do outro lado então, da pessoa que ouve do outro o que não precisa ouvir.
Já ouvi muita coisa que não precisava, tenho traumas até hoje, pela infância, adolescência, e até uns anos atrás. Isso machuca de um jeito que não tem reversão. Palavra humilha, e qdo entra no coração da gente, nada, nunca, a faz sair de lá.
Agora te pergunto: por que falar? Qual a necessidade de se expor assim?
Eu gosto de ter minha opinião, mas gosto de ouvir tbm, e aí sim, posso perfeitamente mudar a minha. Só que agora com mais leveza, mais gentilezas e nunca,NUNCA, achando que tenho razão absoluta.
O que é bom pra mim, é péssimo pro outro, mesmo que o outro seja um filho.
Sem falar que não adianta falar, porque a pessoa que escuta não vai mudar só porque falamos. Ela vai ficar é magoada e pode passar o resto da vida com essa mágoa, sem vc saber que a magoou. Isso é péssimo.

Eu te entendo, Lúcia e sei que não é fácil. As pessoas são diferentes e todas sofrem, todas se decepcionam, todas perdem, a gente avisando ou não. É a vida, e faz parte da maturidade.

Beijos

ML disse...

Minhã vó dizia, minha mãe repete, e eu não aprendo: "a palavra é de prata, o silêncio é de ouro".
Não é da minha natureza "fingir que está tudo certo" quando não (acho que) está. Mas, é melhor mesmo tomar mais cuidado com a "vontade" porque "a gente nunca sabe do que o outro é capaz". Quem diz isso é a sábia da minha mãe. Cão que ladra não morde, é fato: quem fala, reclama, se indigna mostra a cara e pronto, falou, disse e se esqueceu.Mas e quem ouve? Será que guardará o rancor, como uma carta embaixo da manga e um belo dia dar o bote?
Bom vc lembrar, Lucia, que nem sempre falar é o melhor caminho. E discordando do ditado, "quem cala nem sempre consente" ; > )

bjnhs

Mauro S disse...

Tenho um pouco disso, Lúcia, de falar para os íntimos o que eu acho, mas também tem coisas que eu gostaria de falar aos outros, e calo para não dar briga, mas me afasto de uns e outros também por não poder dizer o que gostaria ou não aprovar certas atitudes que vejo como erradas.

Visita o Koisas e Coisas e comenta o post "Espionagem não!", assina a petição e vamos impedir que quebrem a nossa privacidade.
Já deixei meu e-mail lá!
Divulga depois!

Beijos, Mauro

Cissa Branco disse...

Lúcia,

Estou aprendendo a calar, faz muito melhor para nós mesmos, ser dona da razão mesmo estando com ela, só serve para autoafirmação, não acrescenta nada, só cria atrito, mas confesso que nem sempre é fácil ou tenho êxito, sem falar que engolir e digerir é muito difícil, às vezes chego a ficar doente, mas bem como vc falou, é uma questão de amadurecimento, um dia chego lá.
Grandes beijos, grande post!

Eli Pechim disse...

Seu post me fez um bem danado porque eu também sou assim, eu falo o que penso e recentemente acabei magoando uma pessoa importante na minha vida por ter agido assim. Não se trata de ter ou não razão, mas de saber que às vezes mesmo tendo razão não é da nossa conta a vida que o outro decide levar. Como meu terapeuta sempre diz: "para de tentar salvar as pessoas delas mesmas porque tem gente que não quer ser salvo. Outros não têm do que ser salvos". Ou seja, é como você falou, é deixar pra lá. O que é extremamente difícil pra uma pessoa com minha personalidade fazer. Mas estou aprendendo. A única coisa que discordo parcialmente no seu post é que a vida se encarrega de ensinar. Que nada. Tem gente que nasce, cresce e morre sem aprender nada. A vida é só a vida. Ela não tá aí pra nos ensinar nada não. A gente aprende com os outros, seus erros e acertos. E com os nossos também. Isto é, quem está aberto. Ótimo post. Um beijo

Celia disse...

Uma pergunta dificil de responder. Muitas vezes é melhor calar, acredito. Bj

Teresinha Ferreira disse...

Olá Lúcia,
Com o tempo fui aprendendo a questionar mais e não levar desaforo para casa.
Detesto escândalo. É difícil eu sair do salto, mas não deixo barato.
Tudo de bom.
Beijos e bons fluidos.

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

recentemente eu passei por uma situação bem chata... tinha acabado de saber da morte da Glorinha, não tava nada legal... e chega uma pessoa pra brigar comigo por causa de uma bobagem totalmente dispensável. e o chato é que a pessoa SABIA que eu não estava bem, mesmo assim ela quis vir cheia de dedos pra mim. resultado: encerrei a amizade, ainda mais pq era repeteco da falta de respeito e da mesma pessoa. achei melhor q ficar tretando, respondendo...cortei o mal pela raiz, fazer o que...

então como vc disse, tudo tem hora pra falar, tem momento certo, jeito certo... é complicado tb a gente querer falar verdades pra todo mundo, pq...quem garante que a gente tá certo? rs, vai saber se não é a gente que tá errado? e... mta coisa é melhor mesmo deixar pra lá.

mto boa a reflexão Lucia!

Misturação - Ana Karla disse...

Já fui "bocão", mas logo aprendi que ouvir é melhor que falar, mas muitas vezes engulo sem água e fica preso.
Acho que no caso da defesa, como citado, devemos e temos esse direito, porém em alguns casos é melhor calar.
Tenho uma pessoa bem próxima que fala "pelos cotovelos" e nunca deixa ninguém falar e quando conseguimos falar ela já contesta na mesma hora, antes mesmo de terminarmos a fala. Desse jeito não dá pra aguentar, mas nesse caso tenho que aguentar, mas evito ao máximo.
Adoro suas reflexões e assim vou aprendendo.
Xeros