Dezembro 2015

Novembro passou e eu deixei o blog fechado. Nem me toquei que deveria pelo menos escrever semanalmente. 
Os dias correram, vertiginosos, este ano.
No final do ano passado contei que não gosto dos anos pares, 2014 tinha deixado a desejar.
Este 2015 foi difícil de viver! Ter mamãe presa a uma cama parece ficção. Não entendo, não aceito, não "absorvo". Enquanto se vê, na política, a podridão do ser humano, os bons sofrem de todas as formas.
Não sou pessimista nem alienada. Não consigo ver o mundo cor de rosa, como se minha alma não sangrasse. Não mais admiro quem o consegue, acho que é só fachada, ou não sentem assim ou não se importam com o que não lhes atinge diretamente.
Claro que trago em mim a alegria, a gratidão. Dou graças a todo momento, porque sei que tenho uma vida privilegiada. Eu e Deus nos entendemos e Ele vai me carregando, quando estou cansada demais.
2015 passou tão célere quanto a vida passa e a gente vive no automático, sem perceber.
Não sei viver uma realidade e mostrar outra, não sei se felizmente ou infelizmente.
Mas é bom poder escrever, ter esse dom de exteriorizar os sentimentos. 
O mundo não mudou nem vai mudar. Quem precisa mudar é o ser humano. Cada dia mais egoísta, cada dia mais alienado.
Quer dizer, sair da Idade da Pedra e chegar até aqui é ter certeza de mudanças, mas é preciso entender que não mudamos muito por dentro, estamos mais centrados em nós mesmos e o resto que se dane!
Acreditar que devemos relevar tudo, que as pessoas são como são e devem ser aceitas é bem aborrecido. Eu não relevo o que me fere, mesmo que não deseje o mal do outro e mesmo que não perdoe. Para mim, perdoar é aceitar o outro. A partir do momento que se é ferido e não se 'abandona' a pessoa que o feriu, o perdão está instalado. Só não me peça para continuar acreditando e deixar que me firam de novo. 
Dezembro é um mês que "me dá nos nervos", porque a falsidade impera e não consigo digerir essa euforia absurda, esse consumismo desenfreado, esse "paz e amor" que não rolou no ano todo, essas luzinhas falsas, com esse brilho passageiro, anunciando um tempo que não virá, ninguém vai mudar efetivamente. 
Enfeitar a casa nunca me encantou, não com esse fausto de hoje. Lembrar do galho seco que enchíamos de algodão e bolinhas coloridas me dá muito mais prazer do que ver esses falsos pinheiros cheios de enfeites. 
Entender essa figura gorda e sorridente, com uma roupa de inverno, sufocante, e acreditar que ela é milagrosa, que a paz chegará junto com ela,  a prosperidade, a fé...Ahhh, cansei!
Mas é claro que o sonho tem que continuar, como a vida continua, e as crianças precisam da ilusão, mesmo que passageira, de que há um mundo melhor, onde o amor impera.
Antes de dar presentes caros, é preciso que se dê amor o ano todo, carinho, compreensão, abraços e beijos em profusão. 
E abrir os braços para os que nada têm também não pode se limitar a um pequeno período do ano.
Deus esteja conosco, abrindo todos os corações para o verdadeiro sentido da vida: espalhar o amor. E com ele vem a paz, a igualdade, a prosperidade para os que assim quiserem.
Igualdade, para mim, significa não ver o outro como negro, pobre, amarelo, rico, índio, branco, mas tão-somente gente. Ser igual, para mim, não é ter todos os mesmos bens materiais, afinal cada um tem que lutar por seu lugar ao sol. 
Igualdade, para mim, é cada ser humano poder ter uma casa onde se abrigar no fim do dia, com cama feita, panela cheia de comida, luz e água, direitos simples e necessários.
Direito que vem junto com o dever de lutar pelo que quer, sem atropelar ninguém, sem roubar, sem "coitadismo" de que "não teve oportunidade". 
Quem nasce em berço de ouro, certamente nasceu para partilhar. Doar-se especialmente, para que o seu irmão menos favorecido tenha uma vida minimamente digna, como falei acima. E isto não vem de doações, vem de ações, de ensinar, de empregar, de respeitar.
Todos somos iguais, temos os mesmos direitos e deveres, mesmo que a carga de um seja maior do que a do outro. 
Nunca iremos entender porque uns nascem com possibilidades e outros nascem com inúmeros entraves, mas assim é e o que cabe a cada um é fazer a sua parte, ajudando seu semelhante a se erguer. A velha história de ensinar a pescar, para que pesque sozinho.
O nascimento e a morte nos igualam. Ricos ou pobres, todos nascemos pelas mesmas vias e apodrecemos ou queimamos depois de mortos. O que fazer desse tempo que passamos aqui cabe a cada um. 
Não é um político, nem um partido, nem uma nação que vão fazer de nós pessoas diferentes. 
Cada um de nós é sua própria responsabilidade.
Por isso, dezembro para mim é um mês como outro qualquer, apenas o último do ano. 
Sem esperar demais de nada nem ninguém. Não é o numeral do ano que determinará suas alegrias ou tristezas.
A alegria tem que ser companheira diária, mesmo que corram lágrimas pelo rosto, em alguns momentos. Estar junto aos que amamos, mesmo que não os vejamos pessoalmente todos os dias, é o bem maior. 
Saúde e paz interior são indispensáveis.
E muita conversa fiada, para organizar os pensamentos e os sentimentos.


5 comentários:

Heloísa disse...

Lúcia,
Amor e paz. É o que precisamos, e o que devemos espalhar.

Ana disse...

Passamos, na vida, por momentos difíceis, de enfrentamento com nossas crenças, valores, ilusões.
Apesar de tudo, constatamos que há muito a ser vivido, aprendido, experimentado.
Nessa mistura de certezas, nos debatemos.
Que saibamos valorizar mais as alegrias e consigamos enfrentar as adversidades, sem sofrer além da conta.
Sempre podemos escolher o melhor, de cada situação, não é?
Que venha o novo ano e ele seja muito bom!
Beijo enorme!

piteis da dinha disse...

Oi Lucia!
Parabéns pelo post. Você não só conseguiu expressar seu sentimento, como também colocou o sentimento de muita gente que não tem esse dom p/se expressar.
Bjssss

Cristina Pavani disse...

Oi, Lucinha!
Dezembro sempre me é um mês de melancolia, introspecção. Um mês em que se fecha um ciclo para abrir-se outro.
Meu pensamento fica mais carregado nas minhas crianças já se desgarrando. A sala de aula é um ecossistema - pobres e remediados; cérebros mais e menos privilegiados; habilidades diversas; crença e descrença em papais noeis.
O verdadeiro sentido cristão do natal fica cada vez mais distante do mundo moderno. Entretanto num piscar de olhos sejá 2016 e o recomeço nos aguarda...

Beijin procê, Amiga!

Pepa disse...

Oi Lucia, é a Vi, na vida não existe explicação para tudo, e ai poderíamos apelar para Hamlet: "Há mais coisas entre o céu e a terra,do que sonha a nossa vã filosofia".
A cobiça humana que para alguns pode ser positiva, pois faz ela lutar honestamente para seu crescimento, para outros é negativa, faz descer ao mais baixo estagio moral e ético, pois fazem qualquer coisa para obterem que querem, o mesmo sentimento, mas que adquirem outras conotações, assim como as cores,tem a matriz e as diversas nuances, tons.
Não é facil enfrentar a doença, principalmente quando vemos quem amamos doente, esse é um momento que precisamos crer, a fé, nos da suporte para dor.
Muitos beijos,Vi