À espera da sexta-feira



 Não entendo a espera frenética que as pessoas andam tendo pela sexta-feira.
Parece que a vida fica em suspenso, só esperando pelo fim de semana. Claro que há brincadeira no meio mas,...há?
Namorei "de longe", com encontros só nos finais de semana e aí, claro, sonhava com a 6ª feira. Ou talvez fosse porque era jovem e queria que o tempo corresse, como sempre querem os jovens.
Não faz  muito sentido querer que os dias passem rápido, pois é sabido que o fim de semana passa mais rápido ainda. Trocar 5 dias por 2 me parece tolice.
Claro que há toda a problemática de se acordar cedo demais, para o trabalho ou para a escola, enfrentar ônibus, trem, metrô, cheios de gente mal-acordada e, portanto, mal-humorada. No inverno, sair da cama quentinha é mesmo uma tremenda injustiça para conosco.
Agora que meus dias são cheios de horas, fico deveras preocupada pelo que parece ser o "não-viver" das pessoas, só querendo o descanso do final de semana.
Não temos, pelo menos nas grandes cidades, o hábito de sair do serviço, num dia qualquer, e emendar com um cinema, uma visita a uma exposição, uma parada para um café ou um encontro com  amigos. 
Claro que há os famosos "happy hours", mas não é todo mundo que adere, seja por não poder mesmo ficar na rua, seja por falta de condições de torrar o dinheiro num bar, jogando conversa fora.

 O fato é que o fim de semana, para alguns, pode ser o período do sufoco, com casa para limpar, crianças para olhar com mais atenção, trabalhinhos escolares a fazer, visitas em casa de parentes, para uns quase obrigatoriedade.
Acho que o principal do fim de semana é o não fazer nada com tempo marcado, é ter tempo para o nada, apenas deixar as horas passarem...e ver chegar o domingo à noite, tão alegre para uns e tão melancólico para a maioria.

 Cada dia tem que ser vivido ao máximo, esgotado em suas horas.
Há beleza numa segunda-feira, mesmo vista pela janela embaçada do trem, do ônibus ou do metrô. Ou do carro, que seja, com o trânsito caótico de cada dia.
O pulo do gato é pensar que cada dia é um bem em si mesmo, pois estamos vivos, saudáveis para a luta em busca do pão, ou da bolsa, do sapato, do carro do ano...
Desde os 9 anos de idade, quando fui para o que se chamava terceiro ano do curso primário, acordava cedo. Antes da minha mãe. Vestia o uniforme e me deitava de novo, esperando que ela se levantasse e me desse o dinheiro para ir à padaria. Era um tiquinho de gente, atravessava uma avenida imensa, ela nem gostava que eu fosse, mas eu era cuidadosa e ela confiou, com o tempo. Também, os tempos eram outros, as ruas com poucos carros. Depois,trabalho,filhos, e os dias começavam cedo. Agora é meu tempo de nem pensar no relógio. Às vezes fico horas sem saber que horas são...

E, apesar da tristeza de deixar o namorado, nunca me sufoquei pela chegada da segunda-feira, pois amava estudar, até sair de casa, abarrotada de irmãos, e ter uns minutos para mim, enquanto descia por uns 10 quarteirões, para ir à pé para a escola. 
Tudo tem um lado bom, temos que descobri-lo e viver plenamente o hoje.


3 comentários:

DMulheres disse...

Lucinha, como passei anos desempregada, a segunda-feira pra mim, é a melhor de todas rsrsrs Parece loucura mais, saber que você vai sair, trabalhar e ter uma semana cheia de afazeres, isso me encanta!! Claro, que gosto dos finais de semana, mas ainda não tenho esse culto a sexta! hahahaha mas, ela é bem-vinda, sempre!!
Adorei teu texto.

Bjokas e um maravilhosos final de semana para vc e sua família.

Teresinha Ferreira disse...

Olá Lúcia,
Bom final de semana. Quando eu trabalhava fora de casa, confesso que a sexta-feira tinha um outro significado para mim.
Hoje vejo com outros olhos.
Beijos mil

Beth/Lilás disse...

Bem, Lúcia, eu acho que sei porque as pessoas estão assim nos últimos tempos!
O que acontece é que o dia a dia dos brasileiros anda muito cansativo, muito estressante, trânsito pesado e trabalho até tarde. Eu vejo isso pela quantidade de pessoas que chegam do Rio, tanto de ônibus, carro ou barcas aqui na cidade.
A lida tem sido pesada para o cidadão brasileiro, até mesmo os jovens têm trabalhado muito, viajado, envolvem-se em projetos cansativos como meu filho e nora, durante a semana reuniões chatas dentro de salas fechadas, outros, os do comércio, também muito cansados pelas inúmeras greves de serviços públicos que interferem na vida dos cidadãos. Tudo reflexo de um governo podre que só faz propaganda de que está tudo bem, mas só pra eles que estão ganhando muito e fazendo nada.
Por isso o brasileiro tem esta carência e necessidade de feriados e finais de semana que já começam, muitas vezes, na quinta-feira, haja vista, os bares da cidade do Rio, sempre repletos desde às quintas.
Por mim, sempre espero a sexta para sair da gaiola que é o apartamento e ir pra minha casa, ver o céu e minhas árvores, por isso minha sexta é muito festejada sempre.
Teu post tá uma delicinha e adorei as imagens.
beijinhos cariocas]