Deus, a dor e eu

Exercendo uma das coisas que mais gosto: minha capacidade de colocar no papel (no caso, na tela) o que sinto. Difícil é saber colocar em ordem os pensamentos.
Tanta coisa acontecendo, na minha vida e no mundo. Esse mundo caótico, a cada dia mais selvagem e estranho.
E as coisas que nos acontecem, quase sempre interessam apenas a nós. Não são para serem espalhadas, mesmo porque entendi que poucas pessoas se interessam realmente pelo que nos acontece. Nem os amigos entendem. Mesmo amigos de anos se afastam, temendo incomodar. Mas como? Amigo mesmo não é para os piores momentos? Não sei, cada um sabe de si. Eu sou amiga de insistir, de procurar, de "incomodar", de dar o ombro.
Mas é preciso olhar a vida com olhos de bem querer, senão ela fica chata, enfadonha, triste demais.
Tudo que lemos nos leva a acreditar que devemos entender o sofrimento, não sofrê-lo, ser magnânimo, ser agradecido e tocar a vida, como se sofrer fosse ingratidão.

É preciso ser muito sábio para passar pelo sofrimento achando que ele nos tornará mais fortes. Na verdade, tudo que é muito óbvio pode nos passar despercebido.
Deixar nas mãos de Deus tudo o que nos acontece, sem entender que somos nossas próprias atitudes, decisões, é fácil. Deus nos deu a vida e o livre arbítrio e não somos recompensados simplesmente se agimos bem, somos donos dos nossos atos.   
                                                                                   
Fica parecendo que somos marionetes em suas mãos, Deus é bondade, é amor, é acolhimento.
Será mesmo? Não podemos passar a vida, nós mesmos, escolhendo o que queremos para nós?
São frases que nos fazem entender algumas coisas, aceitar outras, acreditar em mais outras. Nem sempre é fácil ler e assimilar, há que se contestar também. Tudo é aprendizado.
Sei que ando numa batalha com Deus, tentando entender esse momento, mas sabendo que tudo é como é, não adianta contestar, Ele comanda tudo e temos que pelo menos tentar entender.
       É estranho demais pensar que nascemos e não somos donos do nosso destino. Apresentam-nos um Deus cruel, dominador, que parece brincar com nossa vida. 
É preciso ser forte para crer e não desanimar. Quer dizer, então, que temos que sofrer, passar por coisas ruins, senão não teremos a vida eterna?
Verdade é que algumas situações nos tornam mais fortes, nos fazem parar para pensar, nos levam a compreender muita coisa.
Sabedoria é nos deixarmos moldar pelas circunstâncias, O que não tem remédio, remediado está.. E Ele sabe exatamente como nos levar à melhor forma. 


 Acho que é mesmo por aí...
Também é algo a ser aceito, tão simples de entender.

A melhor maneira de tocar a vida é aceitar. Simplesmente aceitar, sem tentar entender.

(Este post foi montado quando mamãe estava no hospital e muitas dúvidas estavam na minha cabeça. Tudo que me chegava às mãos, sobre Deus, eu arquivava, sem tentar entender, sem entender, sem aceitar como verdade.)


5 comentários:

✿ chica disse...

Lúcia, que lindo post, muito bem escrito e usando tantos trechos de mensagens de alento, força e fé.

Elas valem sempre e há horas na vida que por momento perdemos a força.

Ainda bem ela retorna, firme e forte! E que bom que esse teu momento é passado, como tudo na vida! Lindo dia, ótimo resto de semana, beijos, chica

Maria Gloria D'Amico disse...

Sabe Lúcia, eu não acredito em um Deus cruel, dominador. Nem acredito neste Deus plantado por muitos anos, pelas religiões. Nem na Bíblia eu acredito, pois sinto que não são palavras originais. Pecado eu também não acredito. E nem no Diabo, que eu penso ser uma criação da igreja católica. Poucas tradições ou filosofias espirituais me chamam a atenção.
E nem gosto de dizer no que acredito, porque nada sei, apenas posso sentir e, dos meus sentimentos, ter conclusões. Mas sempre tenho um 'ou se nada disso fosse verdade'. Então, deixo tudo em aberto, livre. E vou seguindo e percebendo a vida, procurando me acertar com o momento presente, tendo o passado com referência e gratidão aos meus antepassados e a todos que cruzam o meu caminho, incluindo a natureza. Um beijinho querida.

Ana Paula disse...

Que rico este post Lúcia!
Eu também não acredito num Deus que nos faz marionetes ou determina nossos caminhos com sofrimentos e dores.
Penso serem frutos de nós mesmos, ainda que muitas vezes não aceitemos isso. Fato é que viver neste planeta implica em envelhecer, adoecer e tudo o mais.
Já questionei demasiado; hoje muitas vezes sei que aqui não terei respostas. Sigo então.
Beijo!

Toninho disse...

Olá Lúcia, entendo bem este processo porque passou e criou todas estas interrogações e reflexões. Temos a vida e cremos que estamos aqui para vive-la intensamente e belamente, mas nesta longa jornada são muitos os descaminhos e quase que sempre vamos questionar este Deus, que nos apresentaram, Senhor de todas as coisas, que sabe tudo e está em todos os lugares. O Deus que muitas vezes o questionamos por permitir tanta maldade, tanta desigualdade. Conheço uma vizinha que diante da enfermidade da mãe e consequente morte, rompeu relações com São Geraldo que ela tinha total devoção.Uma vez no Hospital Felício Roxo vendo minha mãe acompanhando uma irmã queimada corpo todo sofrendo 6 meses ambas, andei de ficar de mal com Deus por deixar minha mãe passar por tudo aquilo. Enfim penso que a vida nos testa por demais e ainda não temos um entendimento completo de como levar esta vida.
Então entendo que é um intervalo e sigo esta como o rio para o mar.
Um bom fim de semana com paz no coração.
Meu carinhoso abraço.

Clara Lucia disse...

Independente do que nos aconteça de bom ou de ruim, Deus está sempre conosco. Há alegrias, há sofrimentos e ninguém, NINGUÉM, passa por essa vida sem que uma lágrima de dor lhe escorra pela face. A não ser que se viva pouco e nem há tempo pra tal coisa. Mas aí vem a pergunta: por que morrer tão jovem, tão novo? Que respostas temos?Muitas coisas não temos as respostas... Infelizmente. Aí é que está o grande desafio da vida, viver bem, apesar dos pesares, ser grato, apesar das injustiças, aceitar o que não se pode mudar, apesar dos inconformismos e principalmente, se amar, se perdoar e não guardar sentimentos ruins por muito tempo, pois tudo é muito rápido e a morte é a única certeza que temos.
Deus em sua sabedoria nos privou de saber coisas que não são tão necessárias assim, mesmo que fiquemos inconformados... Ele está no comando e cuida de nós nas entrelinhas, em lugares em que não costumamos olhar ou visitar, em detalhes tão pequenos que nossa visão não alcança, em um futuro tão próximo como o próximo segundo, mas às vezes ficamos tão estagnados no minuto presente que deixamos escapar algo que teria a explicação pra muita coisa.
Nossa vida é assim.
Qdo nos acontece algo ruim a primeira pergunta que fazemos é: por que eu, Senhor? E quando nos acontece algo bom? Por que não fazemos a mesma pergunta? Será que somos sempre merecedores só do bom?
Mistérios...
Beijos, maninha do meu coração.